Moacy lança “Dicionário” hoje

Por Woden Madruga

Moacy Cirne lança hoje à noite, a partir das 19 horas, na Livraria Siciliano, do Miduei, Dicionário do Folclore Brasileiro: Uma edição desfigurada. Sai com o selo do Sebo Vermelho e aí temos mais um brinco enfeitando a festa. É que o livro fecha o fantástico empório de 300 títulos editados por Abimael Silva, número mágico, verdadeiro marco no mundo editorial, que não estufa apenas o orgulho da província, pois também pode ser considerado um feito nacional. Outro motivo a mais pra mais gente subir nas escadas rolantes do Miduei.

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Comentários

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  1. João da Mata 21 de julho de 2010 14:08

    Repostando texto publicado em 2009

    ERA UMA VEZ UM DICIONÁRIO…

    “Já consultou o Cascudo? Cascudo é quem sabe. Me traga aqui o Cascudo”

    Carlos Drummond de Andrade

    A Nona edição do “Dicionário do Folclore Brasileiro”, obra de uma vida inteira escrita por Luís da Câmara Cascudo, foi editada pela editora Global em 2000. Edição Revista, atualizada e ilustrada (sic).

    E pode?

    Quem autorizou?

    Tenho todas as edições desse dicionário e qual não foi a minha surpresa ao constatar que a nova edição do Dicionário foi completamente modificada.

    A 1ª edição saiu em 1954. A 2ª ed. 1959. A 3ª ed., 1972. No prefácio da 4ª ed., escreve Cascudo, em 1979. “Para essa 4ª ed, aliás 5ª por ter havido da 2ª uma reimpressão nas Edições de Ouro, trago correções, melhoria bibliográfica, alguns verbetes lembrados e reclamados pelos leitores e originais de Carlos Krebs e Moarci Sempé, gaúchos, e a homenagem aos companheiros falecidos depois de 1972” . No prefácio da 5ª ed. em 1983, Cascudo anuncia não haver alteração no texto do Dicionário devido ao seu estado de saúde.

    Qual não foi nossa surpresa ao comparar a nona edição do famoso Dicionário do Folclore Brasileiro, uma das obras mais importantes e referenciadas do polígrafo Cascudo, e constatar que o livro foi completamente adulterado e modificado para pior, em nossa opinião. Muitos verbetes foram suprimidos. Outros alterados. Verbetes foram acrescidos. As ricas referências bibliográficas ao final do verbete foram retiradas. Grafias modificadas.

    O dicionário de Cascudo é uma obra irregular, mas o livro é como um filho que não pode ser modificado em sua essência e conteúdo. Alguns verbetes são muito ricos em suas informações e conteúdos outros nem tanto. Ainda assim uma obra gigantesca.

    A edição da Global altera completamente a obra e isso é inadmissível. Os belos verbetes “Aboio” e Acauã foram reduzidos de forma criminosa. No verbete Aboio, a edição da Global incluiu uma pequena partitura colhida em Araraquara/SP e uma outra linha melódica retirada do livro “As melodias do boi e outras peças”, do Mário de Andrade. Nada que justifique a redução do texto.

    Os verbetes Abadá, Abuxó e tantos outros foram retirados. E foram incluídos abacaxi e abobrinha. Algumas ilustrações foram acrescidas na nona edição. Como se diz aqui no nordeste, o que foi feito com o Dicionário do Cascudo é um tremendo abacaxi. E foram muitas as abobrinhas colocadas, o que provocou um empobrecimento do livro. Um crime que espero não seja repetido em edições futuras.

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