Monteiro Lobato e a proibição da “Caçada de Pedrinho”

Meus amigos e amigas,

Estou muito preocupado com essa proibição ao livro “ Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato em 1933. Estou aqui com as obras completas do Lobato e já consultei o seu grande biografo Edgard Cavalheiro e não vejo razão para essa proibição. Aprendi a gostar de ler com Monteiro Lobato. Li o D. Quixote das Crianças do Lobato e nunca mais deixei de ler a grande obra prima de Cervantes. Vasculhei o céu com Lobato numa “ Viagem ao Céu”. Li sobre o explorador Hans Staden e me encantei com Os Doze Trabalhos de Hercules recontado por esse grande escritor e editor.

Monteiro Lobato reinventou o Brasil. Em alguns aspectos inventou-o. Foi um grande nacionalista e lutou pelo nosso petróleo e recursos minerais. Foi um grande editor quando no Brasil quase não havia editoras. Um grande tradutor que lutou incansavelmente pelo Brasil.

As Aventuras do Pica pau Amarelo foram transportadas para a televisão e ainda hoje encanta gerações de todas as idades.

Com relação à obra proibida “Caçadas do Pedrinho”, e a justificativa das palavras preconceituosas e estereotipas “ trepar” e “ negra”, que não ajudariam na educação com base “ nos estudos atuais e críticos que discutem a presença de estereótipos raciais na literatura “ acho a justificativa sem propósito e um grave atentado contra a livre expressão e ao fazer literário e artístico.

Por isso mesmo meus protestos contra essa agressão a um dos mais criativos e nacionalistas escritores do Brasil. Urubu é negro, macaco trepa; assim como tem gente negra e que trepa. Não vejo razão para colocar a obra num índex proibitivo. A noite é negra sem luar e ninguém pode mudar a natureza. E são negros os olhos da minha amada. Cacemos Pedrinho!. Vou fazer a minha perna de pau e colocar sebo para a onça não pegar.

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Comentários

Há 10 comentários para esta postagem
  1. Tiago 18 de março de 2019 16:35

    Não concordo com a proibição do livro as cassadas de Pedrinho, gostei muito dele quando era criança, mas Monteiro Lobato era racista sim, um dos livros mais racista e explícitos dele que já li, que na minha opinião é mais racista que o minha luta de Hitler diz: “elementos espontaneos que miss Jane aponta. Entrou ainda, á força, arrancado da Africa, o negro. —Lá ia chegar. Entrou o negro e foi esse o unico erro inicial cometido naquela feliz composição. —Erro impossível de ser corrigido, aventurei. Tambem aqui arrostamos com igual problema, mas a tempo acudimos com a solução pratica — e por isso penso que ainda somos mais pragmaticos do que os americanos. A nossa solução foi admiravel. Dentro de cem ou duzentos anos terá desaparecido por completo o nosso negro em virtude de cruzamentos sucessivos com o branco. Não acha que fomos felicíssimos na nossa solução? Miss Jane sorriu de novo com o meigo e enigmatico sorriso do professor Benson. —Não acho, disse ela. A nossa solução foi medíocre. Estragou as duas raças, fundindo-as. O negro perdeu as suas admiraveis qualidades físicas de selvagem e o branco sofreu a inevitavel peora de carater, consequente a todos os cruzamentos entre raças dispares. Carater racial é uma cristalização que ás lentas se vai operando através dos seculos. O cruzamento perturba essa
    cristalização, liquefa-la, torna-a instavel. A nossa solução deu mau resultado. —Quer dizer que prefere a solução americana, que não foi solução de coisa nenhuma, já que deixou as duas raças a se desenvolverem paralelas dentro do mesmo territorio separadas por uma barreira de odio? Aprova então o horror desse odio e todas as suas tristes consequencias? — Esse odio, ou melhor, esse orgulho, respondeu miss Jane, serena como se a propria Minerva falasse pela sua boca, foi a mais fecunda das profilaxias. Impediu que uma raça desnaturasse descristalizasse a outra, e conservou a ambas em estado de relativa pureza. Esse orgulho foi o criador do mais belo fenomeno da eclosão etnica que vi em meus cortes do futuro. — Mas é horrível isso! exclamei revoltado, Miss Jane, um anjo de bondade, defende o mal… Pela terceira vez a moça sorriu com o sorriso do professor Benson. — Não ha mal nem bem no jogo das forças cosmicas. O odio desabrocha tantas maravilhas quanto o amor. O amor matou no Brasil a possibilidade de uma suprema expressão biologica. O odio criou na America a gloria do eugenismo humano… Como era forte o pensamento de miss Jane! Dava-me a sensação dos “

  2. samuel 25 de março de 2011 10:43

    Não é necessario tal argumento,em relação a obra,pois em sua criatividade ele apenas criou um conto para educar,não com um contexto racista.Monteiro Lobato desenhou nossa cultura e mostrou que nosso páis tem educação.

  3. Carlos Alberto Medeiros 11 de março de 2011 13:28

    A discussão avançou tanto que vale a pena recapitular (sem pretender ser neutro, que ninguém o é, embora alguns nem se dêem conta disso):

    Em novembro último, um parecer do Conselho Nacional de Educação recomendou que, para ser adquirida pelo MEC (com dinheiro público, portanto), distribuída a escolas públicas e apresentada em sala de aula, a obra “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, deveria ser “contextualizada”, já que continha uma série de expressões racistas dirigidas à personagem Tia Nastácia (“negra suja”, “negra beiçuda”, “macaca de carvão”) pela simpática boneca Emília. A grande imprensa, contudo, dando continuidade a uma prática que vem sendo amplamente adotada na cobertura da discussão sobre ação afirmativa e cotas na universidade, prontamente traduziu “contextualização” em “veto” e “censura”. Com base nesses termos, e sem se dar ao trabalho de ler o parecer, intelectuais respeitáveis acorreram em defesa do festejado autor, supostamente ameaçado por fanáticos da correção política. Desnecessário acrescentar que intelectuais igualmente respeitáveis, mas com opiniões opostas, não tiveram vez no “debate”.

    Foi nesse clima que o cartunista Ziraldo resolveu ilustrar a camiseta do bloco carnavalesco Que Merda É Essa com um desenho de Lobato, com cara de quem não está entendendo nada, abraçado a uma mulata. Em entrevista, Ziraldo pontificou: “Racismo sem ódio não é racismo”. A posição de Ziraldo foi rebatida numa Carta Aberta a ele dirigida pela escritora Ana Maria Gonçalves em que esta apresenta uma série de manifestações racistas do próprio Lobato, algumas delas surpreendentes, mesmo para os padrões da época em que foram escritas, como o lamento pela ausência de uma Ku-Klux-Klan em nosso país. Mostra-nos ela que Lobato era um militante da eugenia, pseudociência associada às raízes do nazismo, que segundo ele deveria ser difundida sutilmente pela escrita. As expressões racistas de Lobato foram bloqueadas pela grande imprensa, no afã antiético de manipular a opinião dos leitores, só vindo à tona graças ao jornalista Arnaldo Bloch, que publicou algumas delas em sua página Logo, do jornal O Globo. Os defensores ardorosos de Lobato, contudo, ou assumiram a postura do avestruz, negando-se a considerar aquilo que o próprio Lobato pensava sobre o tema de raça, ou procuraram – procuram – justificá-lo pelo contexto histórico. Não deixa de ser irônico que essas pessoas, de modo geral, se alinhem entre os fãs de Gilberto Freyre, defensor supremo da mestiçagem, enquanto Lobato a considerava um obstáculo quase inexpugnável ao progresso da sociedade brasileira. Um belo exercício do duplipensar orwelliano…

    Toda essa polêmica constitui uma oportunidade ímpar para uma reflexão sobre a questão de raça no Brasil. Num paper apresentado num seminário sobre o papel da mídia nessa discussão, e depois publicado no Observatório da Imprensa, Muniz Sodré apresenta o seu diagnóstico sobre o comportamento de muitos brancos brasileiros, e particularmente de muitos intelectuais, diante da forma como o problema tem sido tratado nos últimos tempos: “nostalgia da escravidão”. A reação irada ao incômodo que é ver questionados não apenas seus próprios comportamentos e atitudes, mas o status quo que sempre lhes garantiu uma posição privilegiada numa sociedade em que a cor alva da pele é garantia de valiosos privilégios, tanto materiais quanto simbólicos. O que essas pessoas não se deram conta é de que há algo de novo na paisagem intelectual e política brasileira. De simples objetos de estudo, um número considerável de negros trocou de posição no microscópio, passando a observar criticamente a sociedade e a produzir textos sobre o tema de raça, frequentemente legitimados pelos ritos acadêmicos. Vem se produzindo e divulgando, assim, uma visão que parte de outra perspectiva, a dos que se encontram na extremidade “receptiva” da discriminação e do racismo, para não só apontar problemas que até ontem se ocultavam sob o manto da “democracia racial” como sugerir medidas capazes de amenizá-los e, com o tempo, eliminá-los. A concretização de algumas dessas ideias, com o indispensável apoio de setores mais sensíveis da elite branca, tem provocado, em paralelo, reações muitas vezes irracionais, como algumas das que discutimos neste texto.

    Abusados, negros passaram a utilizar o conhecimento adquirido na academia para questionar os próprios intelectuais brancos que por longo tempo detiveram o virtual monopólio da discussão de raça no Brasil. Alguns deles têm dedicado parte de seu tempo e esforço à identificação de inconsistências e incongruências, que perceberam abundantes, no pensamento desses “mestres”, revelando como, em muitos casos, um discurso supostamente “científico” funciona como disfarce ideal para a disseminação de verdades assentadas unicamente na ideologia. Como explicar, por exemplo, que estudiosos que ganharam prestígio e posições estudando o negro e sua cultura, e que reconhecem a existência do racismo e da discriminação, sejam capazes de negar a possibilidade de identificar quem pertence a esse grupo para fins de discriminação positiva? Como é possível negar com veemência a validade do conceito de raça, ainda que na sua acepção sócio-histórica, e simultaneamente tecer loas à nossa maravilhosa miscigenação, ou seja, a mistura das mesmas raças que se afirma não existirem? Provocações como essas costumam ficar no vazio, demasiadamente incômodas para serem respondidas. Mas não passam incólumes a quem tenha um mínimo de preocupação com essa coisa, aparentemente meio demodée, a julgar pelo comportamento Fox News da grande mídia brasileira e de seus leitores acríticos, denominada honestidade intelectual.

    Ao desnaturalizar manifestações racistas profundamente entranhadas em nossa sociedade, a ponto de fazerem parte daquilo que Bourdieu chamava de habitus – atitudes e comportamentos pré-reflexivos, transmitidos, aprendidos e reproduzidos inconscientemente (como o costume de chamar de “negão” um homem negro desconhecido, sem se preocupar com a possível reação do interpelado) –, os negros antirracistas e seus aliados brancos perturbam a falsa harmonia baseada em relações de superioridade/inferioridade quotidianamente reforçadas, no plano simbólico, pela linguagem. A esse propósito, Joel Rufino dos Santos relatou, em seu livro “O que é racismo?”, um episódio revelador. Reproduzo de memória. Estava ele num estádio assistindo a uma partida de futebol quando um jogador negro fez uma jogada errada e alguém gritou: “Crioulo filho…” Como de hábito, isso não provocou nenhuma reação. Foi “natural”. Joel esperou até que um jogador branco cometesse um erro e replicou: “Branco filho…!” Aí se instaurou o mal-estar. Um sujeito, então, aproximou-se dele e esclareceu: “Fui eu que gritei aquilo, mas não sou racista. Sou oficial do Exército.” Joel esperou até outra manifestação “natura”l antinegro ocorresse, o que não demorou muito, e comentou em voz alta: “Outro oficial do Exército.”

    Pois é, como vemos nesta discussão, há por aí uma quantidade enorme de oficiais do Exército.

  4. Andre Costa 4 de dezembro de 2010 1:57

    Para contar que sou Negro, moro fora do Pais, li o livro hoje aos 44 anos e me senti desconfortavel. Imaginem como me senti aos 9 ou 10 anos em uma sala de aula.
    Alguem acima falou que a “Nastacia eh Negra e dai”. O problema eh a forma como ela eh tratada no livro e o que vamos ensinar aas nossas criancas.
    Isto nao eh censura. Alguns falam acima como se estivessem tentando proibir as obras de Lobato.
    Um livro destes nao seria recomendado para a leitura em classe na America Anglofona, na Franca, Inglaterra ou Alemanha. Uma pena o governo ter recuado com medo do patrulhamento

  5. Andre Costa 4 de dezembro de 2010 1:41

    No geral sou contra a censura, mas… depois de ler este livro para melhor entender a polemica fico agradecido de nao te-lo lido quando crianca. E acho que quem eh contra a suspensao nao deve te-lo lido tambem. Digo que nao cabe como livro de formacao para criancas de 10 anos ou menos. Nesta fase se desenvolvem conceitos e entendimentos que ficarao para o resto da vida. Notem que isto nao eh censura, pois o livro pode continuar a ser vendido e lido sem alteracoes respeitando a obra do autor.

    Do mesmo modo que um livro com forte conteudo erotico, por mais classico que seja, nao pode ser adotado em escolas primarias, um livro repleto de citacoes depreciativas aa figura do Negro (sem falar na violencia gratuita contra animais) ali representado por Tia Anastacia tambem nao deveria.

    As citacoes sao muitas vezes grosseiras, ofensivas e sem um proposito no contexto da estoria. Como certas cenas picantes de alguns filmes que, se retiradas, nao alterariam em nada o seu conteudo.
    Fiquei com a impressao que certas cargas de Lobato na descricao das cenas de Anastacia, estao ali somente para reforcar o que ele provavelmente pensava do Negro e do lugar que ele deveria ocupar na sociedade.
    Comum a epoca do autor, mas totalmente fora de sentido nos dias atuais. Nada que mereca ser perpetuado. (desculpe a ausencia dos acentos)

  6. olga 14 de novembro de 2010 10:09

    O problema maior para mim, que fui educada na censura da ditadura, é que qualquer que seja a censura é uma infantilização de um povo e alguém muitoiluminado ou será que iluminista tupiniquim resolve decide o que é bom para os outros pobres mortais.Tudo deve ser lido, pensado discutido, além disso a leitura é um processo solitário assim vem o inesperado a liberdade de pensamento.ridiculas as defesas nem censura nem o eufemismo recomendação isso é coisa de gente que não lê não entende o que é leitura nem seu significado.Por fim, de gente autoritária!
    abraços

  7. João da Mata 8 de novembro de 2010 16:41

    Caro Colega,

    Essa ” recomendação ” já foi devidamente rechaçada . Reafirmo o que disse. Ela não cabe. Não ao obscurantsmo.
    Deixe Emília dizer asneiras.

    O Jeca Tatú tambem não pode ser proíbido. Saudades do Mazaropi

    E tia Anastácia é negra, e daí?

  8. Cláudio 8 de novembro de 2010 16:30

    Não se trata de proibição e sim de recomendação, assim como se recomenda a não leitura de algs livros ou filmes para crianças. Não devemos reforçar estereotipos negativos de qualquer população.

  9. João da Mata 3 de novembro de 2010 18:27

    Nossos protestos chegaram a Brasília

    MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato

    > *ANGELA PINHO*
    > DE BRASÍLIA
    >
    > O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que o do (sic) CNE
    > (Conselho Nacional de Educação) reveja o parecer
    >

    > que recomendou restrições à distribuição do livro “Caçadas de
    > Pedrinho”, de Monteiro Lobato, em escolas públicas.
    >
    > Conselho de Educação quer vetar livro de Monteiro Lobato em escolas
    >

    > Como revelou a *Folha*, o conselho sugeriu que a obra não seja
    > distribuída pelo governo ou, caso isso seja feito, que contenha uma
    > “nota explicativa”, devido a um suposto teor racista.
    >
    > Haddad disse ter recebido diversas reclamações de educadores e
    > especialistas contra a decisão do CNE. “Foram muitas manifestações
    > para que o MEC afaste qualquer hipótese de censura a qualquer obra”,
    > afirmou.
    >
    > Ele disse não ver racismo na obra, mas ainda assim não descartou a
    > possibilidade de editoras redigirem as notas explicativas sobre o
    > contexto em que determinada obra foi escrita quando isso for
    > considerado necessário. Para o ministro, qualquer que seja a decisão
    > do CNE, ela deverá valer para todos os livros e não para apenas um
    > específico.
    >

  10. Cesar Tadeu Barcellos 2 de novembro de 2010 15:59

    Sou contrário a qualquer proibição literária. Se a nossa douta justiça está tentando ou já proibiu a obra do grande Monteiro Lobato , sem dúvidas ela está mais doente do que eu pensava. São atitudes racistas como essa que me deixa cada vez mais em descrédito quanto à nossa dama cega e burra chamada Justiça. Acho que está mais do que na hora de o povo unido dar um basta aos mandos e desmandos da nossa Justiça. Já estão querendo até tirar o cachimbo do Saci. É só o que falta também. Algumas doenças não tem cura.

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