Morre o escritor alemão Günter Grass, prêmio Nobel de Literatura

O ESTADO DE S. PAULO, COM AGÊNCIAS

Gunter Grass, o prêmio Nobel de Literatura alemão que deu voz à geração alemã que floresceu durante os horrores da era nazista mas depois reviu suas próprias posições no passado, morreu aos 87 anos.

O porta- ­voz da editora Steidl confirmou que Grass morreu nesta segunda­-feira, 13, em um hospital em Lubeck.
Grass era saudado pelos alemães por ajudar a reviver a cultura do país no pós Segunda Guerra, e ajudar a dar voz e suporte ao discurso democrático no período.

Ainda assim, ele provocou a ira de muitos em 2006 ao publicar Nas Peles da Cebola, suas memórias sobre a juventude na Waffen­SS, o exército paramilitar de Hitler.

Ele conquistou notoriedade em 1959 com o romance O Tambor ­ e 40 anos de produção depois, a Academia Sueca o honrou com o Prêmio Nobel de Literatura, elogiando­-o pela dedicação à literatura alemão no pós­-nazismo.

Em 2012, ele também atraiu muito criticismo e foi declarado persona non grata em Israel após publicar um poema, (algo como O Que Deve Ser Dito), no qual ele critica o que descreve como a hipocrisia do Ocidente sobre o programa nuclear de Israel e denomina o país como uma ameaça a “já frágil paz mundial” por seu comportamento beligerante com o Irã.

Escultor treinado, Grass fez sua reputação literária com O Tambor, seguido por Gato e Rato e Anos de Cão, o que ele chamou de a Trilogia Danzig, em homenagem a sua cidade natal, atualmente Gdansk, na Polônia.

Combinando detalhes naturalísticos e imagens fantasiosas, a trilogia capturou a reação alemã ao crescimento do nazismo, os horrores da guerra e a culpa que ficou após a queda de Hitler.

Os livros voltam continuamente a Danzig, onde Grass nasceu, em 16 de outubro de 1927, filho de um doceiro.
Na trilogia, o escritor compartilhou parte de sua própria experiência no serviço militar e como prisioneiro de guerra (ele foi capturado pelos americanos e solto em 1946).

O Tambor foi um sucesso do dia para a noite ­ um fato que Grass comentou que o surpreendeu. Questionado, em 2009, por que o livro se tornou tão popular, ele comentou que o livro trata de um dos mais intimidadores períodos da história alemã, com foco no dia a dia das vidas de pessoas comuns.

E acrescentou: “Talvez porque é um livro bom”.

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