Morre o jornalista e escritor britânico Christopher Hitchens

PROSA ONLINE/O GLOBO

Morreu nesta quinta-feira, vítima de uma pneumonia aos 62 anos, o jornalista e escritor britânico Christopher Hitchens. O autor de “Deus não é grande – como as religiões envenenam tudo”, que participou da Festa Literária de Paraty em 2006, não resistiu a um câncer no esôfago, descoberto em junho de 2010. Hitchens enfrentou a doença com a mesma pena iconoclasta que lhe rendeu epítetos fortes, como “enfant terrible”, “controverso” e “polêmico”. “Eu adoro o imaginário da luta. Por vezes desejaria sofrer por uma boa causa ou que rriscasse a minha vida pelo bem dos outros, em vez de ser apenas um paciente às portas da morte”, escreveu na revista “Vanity fair”, da qual era colunista desde 1992.
Nascido na Inglaterra em 1949, mas desde os anos 80 vivendo nos Estados Unidos, Hitchens tinha gosto pela controvérsia. Em 2007, ao lançar “Deus não é grande” (o mais popular dos 16 livros que escreveu), defendeu a “superioridade moral do ateu” em oposição à “irracionalidade” dos crentes, o que o confirmou no papel de herói do chamado “novo ateísmo”, ao lado de nomes como Richard Dawkins, Daniel Danett e Sam Harris (juntos, foram apelidados os “quatro cavaleiros do apocalipse”).

Hitchens defendia a liberdade de expressão e a investigação científica como substitutos éticos e civilizatórios da religião. O que o levou, após os ataques da Al-Qaeda aos Estados Unidos em 2001, a defender uma política intervencionista contra o que chamava de estados “islamofascistas”. Recusava, porém, ser rotulado como conservador por sua posição, e provocava seus críticos acusando-os de ser “stalinistas sem remorsos”.

Foi um correspondente de guerra atento. Pela “New statement”, cobriu a Revolução dos Cravos em Portugal, em 1975, e esteve em outros campos de batalha, da Argentina à Tchecoslováquia. Empunhava os valores filosóficos do Iluminismo; era admirador dos ícones culturais e políticos George Orwell (de quem herdou “o poder de encarar fatos desagradáveis”), Thomas Payne e Thomas Jefferson. Sua coluna na “Vanity fair” suscitava paixões e ódios (de Bill Clinton à Madre Teresa de Calcultá) e o transformou num dos jornalistas mais influentes dos Estados Unidos.

Mesmo combalido pela doença, seguiu combativo até o fim. O papa Bento XVI era um de seus alvos recentes, a quem acusava de ter encoberto escândalos sexuais na Igreja Católica quando era cardeal. Planejou, ao lado de Dawkins, uma emboscada para prender o Papa quando este passasse pela Inglaterra, em setembro deste ano. Seria um feito ao seu estilo: nos anos 70 defendeu também a prisão de Henry Kissinger pelos bombardeios norte-americanos no Cambodja.

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