Morre pioneiro da inteligência artificial

Por Reinaldo José Lopes
FSP – EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Americano John McCarthy, morto aos 84, cunhou o termo em 1955 e desenvolveu linguagem-chave de programação. Pesquisador via como objetivo a criação de computadores com capacidade humana, mas reconhecia limites

Quando você usar apenas o som da sua voz para ligar para alguém usando o celular, ou quando empregar um tradutor automático para enfrentar uma língua desconhecida, agradeça ao tio John.

“Tio John” era o apelido dado por alunos do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) a John McCarthy, morto aos 84 anos em Stanford, na Califórnia. Cientista da computação e professor emérito da Universidade Stanford, McCarthy foi o responsável por cunhar o termo “inteligência artificial”.

Isso foi em 1955, e a expressão virou o lema de uma conferência científica nos EUA, realizada no ano seguinte, que acabaria fazendo deslanchar o ramo das máquinas inteligentes nas décadas posteriores. Mas McCarthy fez mais do que inventar uma expressão grudenta. Ele também desenvolveu e publicou, em 1960, a linguagem de programação Lisp, que logo se tornou a mais empregada em projetos de inteligência artificial (IA).

De lá para cá, o cientista sofreu uma grande tragédia pessoal (a morte de sua mulher, a programadora Vera Watson, escalando uma montanha do Nepal), mas continuou sua atividade de pesquisa, chegou a propor um projeto de elevador espacial e escreveu contos bem-humorados de ficção científica.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Em seu site pessoal, ele organizou um conjunto de perguntas e respostas sobre a IA para o público em geral, tentando explicar por que robôs com características humanas ainda não dirigem carros ou limpam casas.

“Os programas de computador têm velocidade e memória de sobra, mas suas habilidades correspondem aos mecanismos intelectuais que os programadores entendem a ponto de transformar em linguagem de computador”, escreve McCarthy. Como há muitos mecanismos da mente que ainda são misteriosos, em algumas coisas os computadores superam as pessoas de longe, mas em outras apanham feio de crianças de dois anos, diz.

Esse é também o consenso entre outros especialistas. Para o filósofo Daniel Dennett, da Universidade Tufts (EUA), as formas mais “light” de IA hoje fazem parte das nossas vidas, nos sistemas de reconhecimento de voz ou de planejamento de reservas. “Mas o sonho de construir um robô consciente sempre foi loucamente ambicioso”, diz Dennett. “Acho que nunca faremos isso. Custaria mais do que pisar na Lua.”

A opinião de McCarthy era um pouco mais nuançada. Ele admitia que reproduzir “todas as peculiaridades” da mente humana seria muito difícil, mas para ele o objetivo da IA era criar computadores tão capazes de resolver problemas quanto pessoas. “Precisaremos de novas ideias para conseguir isso.”

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