Morte

Tenho uma relação de afeto
Com a morte.
Ela me visita
A todo instante.

Passeia no meu sangue,
Mede meu ar,
Meu ser,
Meu ter,
Meu eu.

Ela invade meu quarto,
A sala,
Os escombros,
Os jardins,
Mora dentro e fora
De mim.

Lambe quem abraço,
Quer beijar
Quem beijo.
Sussurra,
Faz versos,
Finjo que não vejo.

Ela é forte;
Eu fraca.
Luto, mas não creio
Que não haja vida
Que não seja morte.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Anchieta Rolim 17 de Novembro de 2015 21:57

    “… Luto, mas não creio
    Que não haja vida
    Que não seja morte.” É isso aí, poeta!

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