Mr. Clark Gable, you made me Love you

Por Laís Bodanzky
REVISTA SERAFINA/FSP

No mês de aniversário de morte do galã dos anos 30, um tributo ao ator que viveu na época que Hollywood inventou o homem ideal

Na imaginação vale tudo. Vivemos grandes aventuras, brigas, amores. Somos os donos da história, podemos vivê-la várias vezes ou escolher um pedaço para repetir o tempo todo. O mundo ideal se torna quase palpável. Nesse contexto, os galãs se encaixam perfeitamente.

O cinema foi o primeiro veículo a dar corpo à imaginação de meninas sonhadoras. E como os filmes sobrevivem na linha do tempo, hoje podemos olhar para trás e saber o que aquelas meninas sonhavam, ou melhor, quem se encaixava em seus sonhos.

Sem dúvida nenhuma, um dos primeiros galãs da história foi Clark Gable. Seu charme invadiu o terreno fértil da imaginação de toda uma geração. Deu vida a sonhos de garotas que escondiam sua foto debaixo do travesseiro, como no filme “The Broadway Melody of 1938” em que Judy Garland canta para uma foto de Gable, “Mr. Clark Gable: You Made me Love You”.

“E o Vento Levou” (1939) foi seu filme mais emblemático. A escalação para o papel de Rhett Butler foi feita porque ele era o mais desejado de Hollywood.

Mas, diferente dos dias de hoje, o público não tinha tanta informação sobre os atores. Os estúdios fingiam que eles eram perfeitos. A mídia dizia que homens ideais existiam de fato e Clark Gable era um deles.

Em um passado mais recente, jovens atores romperam essa máscara. Marlon Brando e James Dean não se deixavam moldar pelos personagens, ao contrário, os personagens é que tinham que se encaixar em quem eles realmente eram.

Hoje temos Brad Pitt, que quando não está filmando deixa a barba crescer, revelando uma personalidade que não tem nada tem a ver com seus personagens. Johnny Depp é um camaleão, ninguém sabe quem ele é.

E quem foi Clark Gable? De família humilde e conservadora, William Clark Gable, ainda adolescente, enfrentou os gritos do pai quando decidiu ser ator. Profissão esta que caia como uma luva para esconder uma personalidade que não se encaixava na sociedade de sua época.

Antes de virar galã, trabalhou duro como figurante até conquistar minúsculos papéis em Hollywood. O grande produtor Darryl F. Zanuck viu seu teste e disse “Não serve para o cinema. As orelhas são grandes e se parece com um macaco”.

Finalmente, em 1931, ele se camuflou no homem ideal. Lançou 12 longas metragens esse ano. Seu sex appeal menos romântico e mais cínico combinava com a grande depressão que assolava os EUA.

Sua contratação em o “E o Vento Levou” custou ao produtor Selznick muito dinheiro só para a MGM liberá-lo para filmar. Gable filmou com preguiça, demorou séculos para ler o roteiro. Ele não sabia que o filme que o tornaria imortal.

Longe do olhar do público, da mídia e da família, pôde ser ele mesmo. Homens e mulheres passaram por sua vida, escolhia e descartava seus amores como um menino mimado.

O divisor de águas em sua vida foi a morte de seu grande amor, a atriz Carole Lombard. Eram recém-casados, apaixonados, quando Carole morreu em um acidente de avião.

Decidido a abandonar a carreira, alistou-se na força aérea americana e foi para o front da segunda guerra mundial. Hitler soube de sua presença e exigiu seu resgate, pois era seu fã. Gable conseguiu escapar e voltou aos EUA condecorado.

Com o final da guerra, voltou para as telas. Mas já era o declínio de um grande ator que em 1960 morreu de ataque cardíaco sem conhecer seu filho ainda na barriga de sua última mulher.

Para os paparazzi esfomeados de hoje, Gable teria sido um prato cheio. Mas talvez as meninas sonhadoras daquela época não estivessem preparadas para sonhar com a vida real…

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