Mudança no Twitter

Poucos se deram conta. Eu mesmo não me dei. Um colega aqui da sala foi quem chamou atenção. Essa semana ocorreu uma mudança radical no Twitter. Saiu a frase pelo qual ele se tornou, em parte, conhecido, e razão primeira de sua existência, “O que você está fazendo?”, e em seu lugar entrou “O que está acontecendo”?

A mudança deslocou o “eu” (na verdade, corrigiu a hipertrofia) que reinava soberano para um segundo plano e tornou o exercício de tuitar menos focado no umbigo e mais no que está à volta. Tornou o Twitter, de fato e de direito, muito mais interessante como ferramenta de comunicação social.

Se não me engano ocorreu nos primórdios algo parecido com os blogs (falo da forma de utilização), usados muito mais como diários e por jovens e que depois agregaram outras formas de uso, principalmente a jornalística. Esse é um aspecto que me entusiasma na internet. Há lugar para tudo e para todos. Você é quem diz o que quer acessar, de que forma quer participar e em que turma.

Na realidade, essa mudança no Twitter já vinha ocorrendo na prática. Pelo menos no meu universo de seguidos e seguidores poucos se atem a relatar o que estão fazendo. Optaram por contar o que está ocorrendo, ao seu redor e no mundo. Um tipo de jornalismo ágil e eficiente. Muito mais inteligente, convenhamos.

Embora muitos achem suas vidas pessoais interessantíssimas e queiram tornar isso público, na maioria das vezes não tem a menor graça, só provocam tédio e sono. Para esses, felizmente, existe o recurso de bloqueá-lo e deixá-lo falando sozinho ou para suas fãs.

Acredito que pesou na decisão do Twitter de substituir a frase episódios de massa como a eleição de Obama, a repressão no Irã e o terremoto no Haiti, quando a ferramenta foi usada para mobilizar, denunciar, relatar a realidade e ajudar necessitados.

O Twitter mudou. Que tal mudar junto com ele.

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