Mulheres bonequeiras do RN ganham festival

Um dos projetos contemplados pela Lei Aldir Blanc por aqui é o I Festival de Mulheres Bonequeiras do RN, organizado por Catarina Calungueira, uma brincante de teatro de bonecos populares de Ipueira, pequena cidade no Seridó, com cerca de 2,5 mil habitantes (e um dos dez melhores IDHs do Estado).

Evento acontece entre 01 a 06 de fevereiro e será todo on-line, transmitido pelo canal do Festival no YouTube.

A programação prevê seis apresentações de mulheres bonequeiras, todas as noites, a partir das 19h, e um bate papo após cada apresentação sobre processo de construção, trajetória das mulheres (nos próximos dias a agenda oficial será publicada aqui no Substantivo Plural).

Às tardes, começando às 14h, as conversas serão sobre técnicas de construção dos bonecos, “direcionado para as bonequeiras que só constroem os bonecos, mas não fazem apresentações”, diz Catarina.

Catarina Calungueira é organizadora do Festival

“O festival é uma ideia desde o ano passado. Inicialmente, seria nacional, que ia acontecer em abril de 2020, mas por causa da pandemia, não foi possível. Isso deu origem a uma rede nacional de bonequeiras, que se reuniu através do WhatsApp. Esse movimento cresceu e virou a rede brasileira. Dessa rede surgiu a potiguar.”

Com forte tradição na cultura dos bonecos, o Seridó terá duas mulheres como grandes homenageadas no Festival: “A ideia do primeiro festival do Estado surgiu pra homenagear duas grandes mestras do teatro de bonecos no Rio Grande do Norte, que são Dadi Calungueira, de Carnaúba dos Dantas, e Lydia Brasileira, de Caicó”. Dadi foi a primeira mulher registrada no Estado como mestra brincante do teatro de bonecos.

O I Festival de Mulheres Bonequeiras do RN reunirá mulheres do teatro popular e não popular. Catarina explica que “No teatro de bonecos popular, o brincante conta a mesma história há 50 anos e são histórias ligadas à vida, ao cotidiano dele. Às vezes é muito autobiográfico.  Os personagens têm características bem específicas. A gente herda as cenas. Existem cenas clássicas, que se repetem nas brincadeiras, nas apresentações. As músicas, o lugar onde acontece a brincadeira, a resposta e o tipo de público. No teatro popular, o boneco tem que conversar com o público.  O público é uma peça fundamental. Esse contexto todo é que diferencia o teatro popular de bonecos”.  

Tradição do tempo do Brasil Colônia, o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi aprovado em 2015 como Patrimônio Cultural do Brasil e inscrito no Livro de Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Brasileiro.

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