Museu proíbe exposição de obra com foto de ex-BBB

O Globo

O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo impediu o artista Alexandre Vogler de expor sua obra “Fani dark” na exposição coletiva “A cidade do homem nu”, que será inaugurada nesta quinta-feira, com curadoria de Inti Guerrero. A obra reúne cartazes de publicidade da revista de nus “Playboy”, com uma foto da participante do “Big Brother Brasil” 2007 Fani Pacheco, que sofreu interferências em canetas coloridas feitas por visitantes do Museu de Arte Contemporânea (MAC), em 2007. Na semana passada, o artista recebeu um e-mail do museu com a informação de que, como Fani não autorizou o uso de sua imagem, a obra não poderia ser exposta.

– A assessora da Fani disse que o trabalho não agregava coisas boas à imagem dela, como se ela pudesse autorizar ou não a realização de uma obra de arte – reage Vogler. – Quando a “Playboy” saiu, era um cartaz atrás do outro nas ruas, com frases, desenhos, rasgos, um mundo de fantasias sobre aquela figura pública. Eu reeditei essa prática no MAC e quis legitimá-la como arte participativa.

MAM defende direito de imagem de ex-‘BBB’

O museu sustenta que qualquer pessoa reconhecível pode impedir que sua imagem seja exposta. – Nossa posição é respeitar os direitos de todos os envolvidos na obra de arte. No caso, a modelo da foto não autorizou – justifica Eduardo Salomão, diretor do departamento jurídico do MAM. – Ela tem resguardado seu direito de imagem pela Constituição, que protege a intimidade e a vida privada.

Vogler não sabia que o museu pediria a autorização e decidiu, junto com o curador, expor no lugar de “Fani dark” a troca de e-mails entre os envolvidos nas negociações. Há anos trabalhando com a reapropriação de cartazes públicos, o artista considera a proibição uma censura a uma obra que, para ele, não julga Fani, e sim expõe mais a moral daqueles que participaram da intervenção, além do sexismo na publicidade:

– Existe um histórico de obras que se apropriam de imagens, e elas são publicadas em livros. Mas quando acontece algo no presente, o museu proíbe a obra, privilegia métodos empresariais e corporativos.

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