Não deixe a Samba morrer, não deixe a Samba acabar

Não que eu ligue se a Sociedade dos ditos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba) acabar. Não que eu me importe quem será o novo diretor ou a nova diretoria. Não que o Beco dependa tanto disso. Mas gosto de ecoar as acontecências daquele chão que, confesso, tenho frequentado menos do que gostaria e mais do que eu posso. Faz parte do meu provincianismo. E nada mais sintomático do cosmopolitismo matuto da nossa aldeia do que as discussões do Beco.

Pois bem, a nova da Samba foi uma assembleia para prestação de contas sem apresentação de uma nota fiscal sequer. Na verdade foi uma prestação de desculpas. Anos de mandato e NENHUMA nota fiscal. NADA sobre o dinheiro que entrou e saiu. Mas talvez seja explicado pela falácia de que tudo lá é libertário, anárquico e tal. Pra que notas fiscais? Melhor culpar, injustamente, a diretoria anterior e débitos com a receita. Tudo inexistente. Comprovadamente inexistente, aliás.

Mas o jogo político-partidário come solto no chão libertário. Ora, porque a disputa por um cargo sem remuneração e com tanto a fazer? Poder! Visibilidade! Para ficar só nisso. É o que querem alguns. “Não, é a vontade de alguns becodalamenses fazer daquele chão um local melhor”. Então por que entregaram a Samba às baratas? Por que conseguiram piorar o Beco numa gestão já comparada à administração Micarla? Alguma benesse conquistaram. Ou talvez uma visibilidade às avessas.

Uma gestão apartidária e bem intencionada da Samba transformaria aquele pedacinho boêmio da cidade. Projetos inscritos nas leis; projetos sendo criados, sendo mantidos; novos points que não APENAS o Mini-Beco Maravilha, no convidativo Zé Reeira. É possível. Acredito na boa intenção do até então único candidato, Tárcio. Não acredito no apartidarismo. Mas vá lá. Preferiria Harryson ou Dunga. Mas Tárcio é bom nome. E torço mais pelo consenso em torno de sua candidatura do que um racha.

Que não deixem a Samba morrer, não deixem a Samba acabar. O Beco também é feito da Samba, mas de uma Samba que a gente possa sambar!

IMAGEM: Painel de Franklin Serrão

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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