NÃO DERRUBEM OS MUROS DE JASMINS

Jarbas Martins

ao poeta Racine Santos que me deu este mote

Não derrubem os muros de jasmins
que a usura, as leis, o desamor não tecem.
Paralisam-se as dunas, os ventos ruins
ao baque de uma árvore emudecem.

A saltitar golfinhos não entretecem
e o elefante e suas danças de marfins.
Não derrubem os muros de jasmins
que a usura, as leis, o desamor não tecem.

O canto das baleias ensurdecem,
a calúnia desata seus mastins.
O iceberg fende-se, emagrecem
os rios esquecidos de seus fins.

Não derrubem os muros de jasmins.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Oreny Júnior 21 de outubro de 2010 16:49

    isso é poesia…
    é o que aprendí recente de “geometria fractal”.
    abração Jarbas, madeira angicana

  2. Jarbas Martins 20 de outubro de 2010 15:24

    Obrigado,poeta Nina, obrigado, poeta Fernando, pelo ouro, o incenso e a mirra dos teus elogios.

  3. Fernando Monteiro 20 de outubro de 2010 14:45

    Ritmo, surpresa, cor, música etc — todos os poemas deviam ser assim, e, quem não souber fazê-los dessa maneira deveria nos dar a oportunidade de ouvir o modesto rumor do silêncio.

  4. nina rizzi 20 de outubro de 2010 13:34

    camarada, tua poesia cada vez mais me embriaga, me estala, me levanta.
    do teu cimo, me abismo.

    beijos.

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