“Não faço poemas faço poesia” – Lembrando Décio Pignatari

Décio Pignatari – Lembranças de sua passagem por Natal há três anos, na Semana de Humanidades da UFRN

Em 2009, estive dois dias ouvindo o poeta e grande intelectual Décio Pignatari. Junto com os irmãos Campos ele formava a santíssima trindade da poesia concreta. Décio deixa uma obra vasta e fundamental para a cultura brasileira. Da arquitetura, semiótica à poesia concreta conhecia e falava de tudo, desde “serifa” à “Revolução Francesa”. Por aqui disse coisas importantes e provocou muito mais.

De forma geral ele disse que no Brasil não tem quase nada; seja no teatro, cinema, literatura, ciência, leitor, etc, etc

Pignatarianas:

– Se você não sonha grande não pode querer ser nada
– O Brasil nasceu com o Barroco. Senão tivesse Martinho Lutero não teria havido Barroco.
– O Brasil teve sua república muito tardiamente. Classe, que classe!.
Classe é a monarquia. O Brasil nasceu em Waterloo. O Brasil precisa controlar a natalidade e fazer a reforma agrária.
– a reforma agrária Americana? Sabe aqueles faroestes que vocês assistem? A reforma agrária Americana começou com eles!
– Comunismo no Brasil. O Prestes era um analfabeto. Compare com a Itália. Lá tinha um Gramsci como mentor. Um grande intelectual
– O cinema Brasileiro vive entre soluços e golpes
– Não faço poemas faço poesia
– O teatro Brasileiro é um desastre. Não sabemos falar. Não existe entre nós teatro da voz.
– Quem não sabe falar não pode ter amor pela palavra.
-O teatro é uma forma sintética de contar uma história.
– A mulher moderna nasceu no romantismo.
– Ler e escrever são tecnologias. Nós não fazemos quase nada
– Simone de Beauvoir. Péssima escritora e filósofa
– Virginia Woolf. Grande escritora. Deve ser lida no original

Sobre a nossa conterrânea feminista e escritora Nísia Floresta, ele falou que estava escrevendo um livro sobre ela. Andou conversando com pesquisadores da grande pedagoga e visitou seu túmulo em Nísia. Chocou a plateia ao dizer que:

– Ela foi expulsa do Brasil por lesbianismo.
– Transou com um Padre Italiano.
– Escreveu um livro que é plágio de um escritor Inglês.
– Passou 40 anos na Europa se prostituindo. Não tinha como se manter de outra forma.

Professor de Física da UFRN. Poeta. Amante da Literatura, dos Livros e das Artes. Para referenciar no caso de citação do artigo Costa, J. M. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 9 comments for this article
  1. João da Mata
    DAMATA 3 de Dezembro de 2012 14:10

    “Poesia pois é poesia”

    Marcos, gosto muito das reflexões poéticas decianas. A poesia concreta trabalha muito o signo. Muito visual dificil de copiar aqui nesse espaço.

    Segundo Décio, a poesia parece estar mais do lado da música e das artes plasticas visuais do que a literatura. Poesia é arte do anti-consumo.
    Para o poeta, mergulhar na vida e mergulhar na linguagem é ( quase ) a mesma coisa. O poema é um ser de linguagem ( in Comunicação Poética, Décio Pignatari )

  2. Jarbas Martins 3 de Dezembro de 2012 14:47

    Da Trindade Concretista, Décio parecia ser o mais ousado politicamente, e mais livre do ponto de vista criativo.Nas passeatas dos anos 60, lá estava ele marcando presença, agitando, criando, e protestando, em nome da liberdade e da justiça social.Diziam-me na PUC-SP alguns amigos que o conheceram de perto. Leitor de Gramsci, denunciava, ao mesmo tempo, a miopia da esquerda brasileira, que, segundo ele, nunca tinha lido o grande teórico italiano.Chamou-me a atenção, numa passeata de protesto pela morte do estudante Edson Luís, em 68, um cartaz (vi em jornais e revistas esta foto), em que a palavra VIDA transformava-se em DAVI. Não era um simples cartaz de passeata, nem era bem um poema concreto. Era apenas um letreiro escrito, sob o signo da indignação, de um poeta e semioticista que, durante algum tempo, se chamou Décio Signatari.

  3. João da Mata
    DAMATA 3 de Dezembro de 2012 14:53

    pignatarianas

    Jarbas, veja o que ele disse aqui em Natal. Leia texto acima.

    O mentor do cumunismo no Brasil era Prestes, um analfabeto. Compare com a Itália. Lá tinha um Gramsci como mentor. Um grande intelectual.

  4. Marcos Silva
    Marcos Silva 3 de Dezembro de 2012 16:01

    João:

    Que fazer com oa analfabetos? No Nazismo, a solução devia ser fácil – câmara de gás. O Nazismo foi julgado extinto mas observações idiotas (ou apenas assassinas), como essa de Décio, sobrevivem impavidamente, noblitando os intelectuais (Gramsci) e descartando os analfabetos (Prestes).
    Entende porque considero as teoricices de Décio uma perda de tempo? Quem pensa coisa com coisa não diz uma idiotice dessas. Prestes seria analfabeto. E daí? O que é que o analfabeto tem (cf. O que é que a baiana tem?).
    Sou mais a canção de Gil, lindamente gravada por Caetano no plesto-cênico 1968:

    o analfomegabetismo
    Somatopsicopneumático
    Que também significa
    Que eu não sei de nada sobre a morte
    Que também significa
    Tanto faz no sul como no norte
    Que também significa
    Deus é quem decide minha sorte
    Ê-ma-ma-ma-ma-mar-e-guerra!

    PS – exagerei na retórica; não se fala mal de morto; mas também não se endossa horrores que os mortos perpetraram. vá ver que era boa gente – tutti buona gente, menos Hitler e o povo do mensalão..

  5. Marcos Silva
    Marcos Silva 3 de Dezembro de 2012 16:07

    Crime gramatical: não se emdossa horrores! Não se endossam! É um claro exemplo de analfabetismo de cátedra. E ainda reclamam da grande matança dos analfabetos! Essa matança deve ser uma contra-revolução preventiva, como argumentavam os caras daquela ditadura de outrora.

  6. Jarbas Martins 3 de Dezembro de 2012 19:04

    Marcos, você já ouviu “Um comunista”, de Caetano, sobre Marighella ? Gostaria de saber o que ele diz, em sua canção, sobre esse stalinista.Baiano é foda. Já li entrevista de CV chamando Prestes não de analfabeto, mas tratando-o com um desdém…Agora ele vem com uma louvação sobre…Marighella ! Só porque ele é baiano ? Etnocentrismo tem limite.

  7. Marcos Silva
    Marcos Silva 3 de Dezembro de 2012 19:36

    Jarbas:

    Ouvi, é legal. Até mandei um pôstezinho cotejando Caetano e Lennon (Sonhos). Marighella é supermito. Vc assistiu àquele filme sobre os dominicanos de Sampa, “Batismo de sangue”? Já viu a viúva de Marighella falando dele no cotidiano? Tem gente que acha o Tadeu Canhoto, de Tenda dos milagres, inspirado nele. Era um mulato ítalo-baiano bonitão.
    Agora, o pessoal desconstrói muito os heróis comunistas – Prestes, Marighella. Tou achando muito silêncio em relação aos heróis filo-fascistas – Lacerda, Geisel. Carecem de desconstrução?

  8. João da Mata
    DAMATA 3 de Dezembro de 2012 20:41

    Ouça aqui e arrote um dos mais famosos poemas de Décio Pignatari

    BEBA COCA COLA

  9. Jarbas Martins 4 de Dezembro de 2012 7:55

    Marcos, obrigado pelas valiosíssimas informações.Vou atrás da composição de CV e do filme “Batismo de Sangue”. Devo muito às lições dos padres dominicanos.Fiz parte da esquerda cristã. Talvez tenha sido, de certa forma, influenciado por nosso amigo Moacy, que era trotskista e ateu. Na verdade, de Marighella eu só conhecia mesmo um soneto neoparnasiano: À LIBERDADE. Para desespero também do velho Moa- que detestava também sonetos.

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