Não vai ter golpe… legislativo, porque o principal já aconteceu

Decidi comparecer na caminhada em defesa da democracia do dia 16 de dezembro: meu senso de responsabilidade fala mais alto que o meu cansaço e o meu desencanto com o governo Dilma e com o sistema “representativo” brasileiro.

Mas vou porque quero ver Eduardo Cunha fora do Congresso e atrás de grades; porque quero cadeia para a direção da Samarco e a responsabilização de Vale e BHP Billiton pelo ecocídio que cometeram; porque quero o fim da política de “ajuste fiscal” e que o governo cumpra o programa pelo qual foi eleito; porque quero que o governo acabe de uma vez com sua monstruosa política de “alianças”, expulse o agronegócio, os bancos privados e afins do ministério, se alie com os movimentos populares e se oponha com todas as forças ao avanço das pautas nazistas promovidas pelo Congresso, se for necessário governando a base de medidas provisórias; porque quero que o governo federal apoie as ocupações de escolas em todos os estados em que estão acontecendo e pressione os governos estaduais para que mudem suas políticas educacionais; porque quero que o governo federal ouça a Primavera das Mulheres e recuse qualquer pacto com forças políticas machistas, misóginas e LGBTfóbicas; porque quero uma Constituinte popular que reforme radicalmente o funcionamento do sistema político; porque quero a implementação de mecanismos que garantam uma efetiva participação popular na tomada de decisões públicas… e por último – por importância mesmo – porque sou contra o golpe legislativo que um impeachment sem bases legais representaria.

Não vai ter golpe… paraguaio, pois o golpe originário – a destituição do povo do poder – já aconteceu desde muito antes que Dilma assumisse.

 

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