Nas Asas do Desejo, de Edilberto Cleutom

Amanheci com o desejo
De inventar um pássaro
Não sei ao certo se sob efeito
De algum sonho
De que não me recordo.

Os sonhos me navegam
E se diluem. Tão logo acordo,
Já partiram
Raramente deixam rastos
Quando muito, certa atmosfera
Algo vago, como o desejo
De inventar um pássaro

Mas creio ser esse desejo
Algo mais profundo
Que o rasto de um sonho…
Quem sabe uma doença
Uma carência
A falta que invade
De ter asas, privado que estou
Deste meu membro

Talvez seja a certeza
Da furtada liberdade
Por que tanto lutamos e perdemos
Como quem vê partir o pássaro
Pousado à mão e lesto
Vai embora, deixando
Atrás de si só o desejo
De inventar de novo
Aquele pássaro.

Ilustração: Gabriela Ozorio

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