Natal, a filha de Coité

Por Eduardo Alexandre

Tenho dito aos amigos que a verdadeira história de Natal começou quando o Casarão de Guarapes, hoje em ruínas, vivia época de glórias. Foi a partir dele que Coité se fez Macaíba e Lagoinha, de comércio tão intenso, foi até cogitada ser capital do Rio Grande do Norte.

Dizia a gente que nos visitava: Natal? Não há tal.

E não havia mesmo.

Quando Fabrício Gomes Pedroza resolveu construi-lo para dele comandar o império que se formaria abaixo daquela colina, margens do Jundiaí próximas ao desague no Potengi, Natal se resumia a uma modorrenta povoação que insistia em nada ser, de tão sonolenta para o desenvolvimento.

A Rua Nova, depois avenida Rio Branco, poucas casas tinha. A Rua Sarmento, que muito depois seria a João Pessoa do Grande Ponto, ostentava casinholas que se contavam nos dedos de uma mão e não chegava a ultrapassar a Rua dos Tocos, que viria a ser a Princesa Isabel dos nossos dias e que nada tinha a mostrar, a não ser os tocos ainda visíveis do desmatamento de 1845, promovido pelo presidente Sarmento.

A Ribeira? A Ribeira era o Caminho da Fortaleza, a Rua da Cruz querendo descer, mas contida pelo fétido braço de rio chamado Salgado a inundá-la e a vasta campina pouquissimamente habitada com seus coqueirais e o sonho de um porto.

Homem de grande visão comercial, mascate já estabelecido e o melhor sucedido nas terras de Coité, Fabrício Gomes Pedroza, dez anos depois do feito de Sarmento, em 1855, constrói um armazém à margem do rio Jundiaí e cria uma feira. Sua importância na localidade é tanta, que ele sugere e Coité, a partir dali, passa a se chamar Macaíba, nome de palmeira que o capitão (paraibano de Pilar ou Areia, pernambucano de Nazaré?), cultivava e tinha predileção.

Depois da criação da feira, aterro dos manguezais das margens e ancoradouro. O Casarão, em 1859, para armazenamento de produtos e moradia, e, ao seu redor, um verdadeiro complexo, incluindo mais armazéns, capela, alojamento para funcionários e senzalas para os escravos.

Coité, agora Macaíba, torna-se ponte para o interior e para o exterior, grandes navios chegando até ali em intenso intercâmbio comercial, exportando algodão, couro e, principalmente, açúcar.

A partir do desenvolvimento do comércio dali, a história de Natal passa a ser feita por homens que, de uma forma ou outra, dali vêm ou tiveram seus nomes ligados ao legado construído por Fabrício Pedrosa: Amaro Barreto, Pedro Velho, Alberto Maranhão, Augusto Severo, Juvino Barreto, Elói de Sousa, Henrique Castriciano, Joaquim Manoel de Moura, Cel. Estevão, Manoel Duarte e sua viúva Machado, são só alguns nomes dessa história que tem origem em Coité, passa por Macaíba e fazem surgir a Natal como cidade de fato.

Esse reconhecimento, havemos de ter, é só resgatar a história de cada um desses personagens, contando a importância que tiveram para o desenvolvimento de Natal.

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