O Natal em Natal é legal, mas precisa de muitos ajustes

Dei minha opinião em post passado, sobre o potencial do Natal em Natal e a necessidade de se repensar o formato, com foco na divulgação, no turismo e na concentração de atividades em um mesmo local ou corredor cultural. E antes da crítica é preciso render todo o mérito ao prefeito Cadu Alves. Só existe a crítica porque há o que criticar. E é o que o produtor Anderson Foca faz no texto abaixo. Foca entende do riscado e deu outro viés à discussão, também sugerindo repensar o projeto. Enfim, acho que o prefeito e mestre Dácio devem reunir algumas pessoas para pensar um novo formato para o evento, também com esse envolvimento do artista local sugerido por Foca. Segue o texto:

Por Anderson Foca
Acabei de ler uma entrevista do prefeito de Natal para a Tribuna do Norte. O assunto lá é cultura, economia criativa e Natal em Natal. Dando o desconto da demagogia presente em 90% das entrevistas dadas por políticos a qualquer meio de comunicação, dá para fazer uma análise bem contextualizada sobre o que o Natal em Natal poderia ser e o que realmente ele é.

Já incomoda de cara o discurso de que Economia Criativa é importante. Ora, se o prefeito acha mesmo isso porque não investe na área? Porque deixa seu secretário de cultura ir ao mesmo jornal meses atrás dizer que na hora de crise a cultura não é prioridade? Quais os investimentos (em números reais) tem sido feitos na área da economia criativa do município? Que projetos estão em andamento? Que editais foram lançados? Que financiamentos foram negociados? Afirmações precisam vir junto com dados se não a corda não afina. Desafinou geral esse tom aí prefeito. O braço dessa guitarra está torto, precisa de ajustes.

Depois vem a afirmação de que o Natal em Natal é o maior projeto cultural do Rio Grande do Norte. Ele até poderia ser prefeito, mas não é. De novo vamos pros números reais. Falando de economia criativa, já que isso foi citado pelo gestor. Vamos analisar o Natal em Natal pelo prisma da participação do mercado cultural natalense na atividade. Quantos artistas potiguares o Natal em Natal reune? Quantos produtores culturais o Natal em Natal envolve? Aqui no meu google rápido, das duas últimas edições do Natal em Natal, se a gente for cruzar o “maior projeto cultural do rio grande do norte” com outras atividades culturais feitas no estado, o Natal em Natal não ficaria nem entre os dez melhores. São números, são fatos, está aí para todo mundo ver.

Ei Foca, tem jeito? Tem sim, e muito jeito. O Natal em Natal deveria ser o ponto de encontro máximo da cultura natalense. Deveria ser o guarda-chuva das iniciativas culturais, o potencializador, o acelerador de processos da economia da cultura no município. Deveria cruzar orçamentos dos projetos que já existem e fazer uma narrativa só “updeitados” pelo município. São dezenas deles, que juntos reúnem praticamente toda a classe cultural do município.
Quer que eu coloque aqui iniciativas que acontecem de outubro a dezembro só para gente ver o tamanho da brincadeira? Fliq, Flin, Festival Dosol, MADA, MPBJazz, Natal Instrumental, Virada Cultural de Natal, Mpbeco, Cientec, O mundo Inteiro é um Palco, Festival de Música de Natal, UrbanoCine, EcoPraça, Prêmio Hangar de Música e MUITOS OUTROS!

Porque isso não pode ser o Natal em Natal junto com as iniciativas proprietárias da prefeitura? Porque que esse guarda-chuva não abre? Teve um ensaio disso no ano passado, as pessoas vestiram a camisa, mas esse ano deu vinte passos para trás. Tá faltando pertencimento da classe artística prefeito, e a gente não está falando de grana (mesmo sabendo que isso é importante). O artista natalense não reconhece o Natal em Natal como dele, esse evento não pode ter propriedade, não pode ter um dono, não pode ser gerido como se ele estivesse locado na iniciativa privada. Enquanto ele for “de vocês”, jamais será da cidade.

O que eu queremos é contribuir e pertencer. E isso não é difícil de fazer para um gestor, mas é preciso vontade política. De novo, a guitarra não vai afinar enquanto vocês não conseguirem arrumar “o braço”. E cultura desafinada é invariavelmente sem efeito.
Até.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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