Natal- RN, Sede da Copa 2014

Reflexões sobre o Futebol – I

A copa vem ou não vem para Natal. Será mesmo uma das doze sedes da copa 2014? Formam-se as torcidas. É feito o bolão. Depois de anunciada a decisão, a dúvida ainda paira no ar salobro. Técnicos da FIFA visitam a cidade dos Reis Magos para saber das condições. Sobrevoam o local. Um olheiro suíço diz que pode ajudar. Políticos torcem contra a possibilidade de outro político faturar com a Copa. Além do que faturam as multinacionais. O Engenheiro do Machadão reclama a derrubada de sua obra. Economistas calculam o quanto Natal vai ganhar com a Arena das Dunas. Natal finalmente sairá da palestra de Manoel Dantas para a modernidade. Os nostálgicos choram a perda de sua arena esportiva e de tantos domingos torcendo e vibrando pelo ABC, América e Alecrim.

Na dúvida, uma amiga que mora perto do Machadão e que já sofreu muito com os carnatais, muda de apartamento e de vida com elevador.

O que será de Natal já tão congestionada é a pergunta que não quer calar. O dinheiro. O prazo. Isso é o de menos. O Projeto é exeqüível vibra novamente Natal. Uns já tinham comemorado a não vinda da Copa. Outros que comemoraram o primeiro anuncio num domingo de 2009, comemoram novamente. O importante é comemorar pelo sim e pelo não. Natal será vista no mundo inteiro. O natalense deve assistir ao jogo do Equador conta o Peru ( aquele daquela copa) .

Desde 1970, quando o Brasil foi tri-campeão, aumentamos mais que duas vezes e meia. Os ditadores assim como alguns políticos da taba, adoram uma copa e um estádio moderno, destruindo insanamente o que já existe e faz parte da história. Em nome do progresso vale tudo e as empreiteiras rindo à toa. Em 1970 o Brasil se entorpecia ao ganhar mais um título. Muitos de nossos, estavam sendo mortos e torturados. Sim, mais éramos campeões e isso era mais importante. Somos, hoje, quase 200 milhões para torcer e botar o Brasil pra frente. Nesses dias, podíamos parafrasear Karl Marx e dizer. O futebol é o ópio do Povo. Natal comemora e na cidade só é que se fala. Seremos depois desse grande evento, uma cidade mais conhecida e moderna. Uma cidade mais prostituída e com o tráfico mais fácil. Nossas praias mais poluídas. Natal já não é a mesma.

O coração aperta, a pressão aumenta, a barriga reclama. O Brasil verde – amarelou. Mais amarelou, porque nossas matas já foram dizimadas. Toda a mídia fala do futebol. Sabemos tudo de cada jogador, só não sabemos se eles sabem da pátria por quem estão jogando e lutando. Nossos melhores jogadores estão fora do país e longe das atrocidades de um país bom de bola e tão desigual. O Brasil, como bem disse um famoso cronista, virou uma “pátria de chuteiras”. Todos torcendo e vestindo a camisa do escrete canarinho. Como é bom vestir a camisa de um time campeão. Ser respeitado, nós que somos tão pouco respeitados. Gostaria, também, de sermos respeitados como um país de grandes cientistas, músicos e poetas.

Trocaria tudo por um premio Nobel. Mas fazer um prêmio Nobel é mais difícil e não daria tanto voto!. O futebol, apesar da grande e bela arte, também é um celeiro de corrupção. Jogadores vendidos a preço de diamante. Cada milímetro de gramado vale uma fortuna e a bola, como que entorpece e anestesia bilhões de telespectadores, ávidos por um pouquinho de emoção e glória. Juízes são comprados e resultados combinados. Uma verdadeira máfia simboliza o futebol moderno. Bilhões são movimentados. E como fatura a adidas e a coca-cola!. Verdadeiras celebridades são os jogadores. Ocupam todas as páginas e capas de revistas. Sabemos de todas as seleções e até do pum do jogador. Vestimos a camisa do time e nos enfrentamos qual tribos ancestrais. Morremos pela camisa. Só assim posso ganhar de você e do patrão. Apesar de todo entorpecente que é o futebol, escrevemos tão pouco sobre ele. É que o dinheiro não dar para comprar um livro. Compro minha televisão de plasma (digital) e esqueço o mundo. Nem sei que no Brasil morre tanta gente. Afinal, somos penta-campeões e o mundo inteiro respeita o verde – amarelo.
Natal inteira já veste a camisa da copa. Comprei a minha no camelô a vinte reais. Oficial da copa. Todos rindo em ação. È o progresso. A saúde, a educação e cultura não importam. Façamos uma plástica na cidade para vendê-la melhor. Alguns serão mais ricos, depois. E a cidade continua intrafegável, sem esgotos e analfabeta. O que vale é a alegria de um momento. A copa é nossa, finalmente. Comemoremos.

Come bola, menino!

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