Natal tem jeito?

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A poucos meses da futura campanha política natalense, acredito não ser necessário entender profundamente de ciência política ou de outros assuntos correlatos para que eu me convença da necessidade urgente de sérias mudanças nos procedimentos que vêm dando a tônica da administração desta cidade.

Natal há muito tempo vem mudando, ganhando destaque, no que respeita à sua inserção no contexto das capitais brasileiras. Talvez em decorrência da especial simpatia nutrida pelos turistas (que já esteve bem melhor) a cidade passou a ser visada nacional e internacionalmente como uma pequena pérola desse Nordeste brasileiro. Nesse aspecto e em alguns outros já não é a fazendola iluminada como alguns a consideravam.

Mas, convenhamos, Natal não chegou ainda nem perto de completar o seu ciclo em busca do desenvolvimento. Nem muito menos se afirmou como cosmopolita, o que talvez fosse uma tendência natural, principalmente após a vinda dos americanos na Segunda Guerra Mundial.  Como diria Fernando Pessoa: “…falta cumprir-se Portugal…”.

E os problemas continuam pululando, apesar de as autoridades também pulularem (essa assertiva roubei de um sujeito provocador, mas bem interessante). Problemas sociais, de infra-estrutura, ético-administrativos, enfim, de diversas ordens, vemos por toda parte. E ainda temos uma Copa pela frente, como se já não tivéssemos encrencas que bastassem. E nem precisa dizer que o buraco é mais embaixo, em cima, dos lados, de todos os lados…

Bom mesmo é que a turma mais crítica, mais consciente, vá começando a pensar nos seus papéis nessa história e animando as alternativas sérias e com projetos consistentes e comprometidos com uma nova realidade.

E que a politicagem dê espaço, neste ano, a um debate profundo e proveitoso para a cidade.

Ou, então…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 19 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 25 de dezembro de 2012 20:15

    Natal…não há tal !

  2. Lívio Oliveira 25 de dezembro de 2012 12:56

    Amigo e mestre Jarbas, Natal foi a única capital brasileira que teve um governo comunista de verdade (mesmo que meteórico). E é a única capital puramente anarquista atualmente. Natal, Natais…

  3. Jarbas Martins 25 de dezembro de 2012 10:31

    Surreal e anarquista, poeta Lívio. João Cabral de Melo Neto já tinha dito, num ensolarado poema, que o Cajueiro de Pirangi era anarquista. A cidade acordou ainda sem prefeito ? Isto é puro anarquismo. E viva o anarquismo, ainda que breve e tardio ! Lancei esta frase na blogosfera, com o apoio do amigo e professor Antonino Condorelli.

  4. Lívio Oliveira 24 de dezembro de 2012 13:21

    Natal é minha praia surreal.

  5. Lívio Oliveira 15 de setembro de 2012 8:04

    Que frágil cidade é Natal!

  6. Lívio Oliveira 9 de setembro de 2012 8:46

    Deixo claro: num momento delicado e perigoso como esse, Natal precisa de uma rápida, segura e certeira definição. Decidi meu voto. E, como sempre, posiciono-me. Ademais, acho que é importante decidir isso no primeiro turno, para não haver riscos. Voto em quem conheço, por conhecer seu trabalho e dedicação por Natal…

  7. Lívio Oliveira 6 de setembro de 2012 8:35

    Natal, minha pobre cidade devastada…minha Pompeia particular…

  8. Jóis Alberto 21 de março de 2012 21:19

    O que posso acrescentar aos comentários de Lívio, Jarbas e Tácito sobre os problemas urbanos, políticos e culturais da Natal contemporânea? Só posso acrescentar que concordo em número, gênero e grau com as opiniões aqui expressas.

  9. Lívio Oliveira 21 de março de 2012 16:44

    De qualquer sorte, o que eu desejo é que o debate seja frutífero e quem vencer possa resgatar/salvar Natal do(s) buraco(s).

  10. Lívio Oliveira 21 de março de 2012 16:42

    Desses aí, Tácito, eu jamais votaria em Felipe Maia, Micarla ou Dickson Nasser. E Wilma se transformou – ao longo do tempo – num nome incômodo e pesado para mim (por diversos motivos), apesar de saber de sua capacidade administrativa.

    Tenho uma relação amistosa e amigável com Carlos Eduardo, Fernando Mineiro, Hermano Morais e Rogério Marinho, não necessariamente nessa ordem. O ideal, para mim, seria vê-los do mesmo lado político, numa coalisão de centro-esquerda.

    Mas, como nem tudo é possível…

  11. Lívio Oliveira 21 de março de 2012 12:19

    Tácito, concordo que são muitos os problemas. Governar uma cidade é uma tarefa pra lá de complexa, ainda mais uma capital delicada como é Natal.

    Acho que foi demais para a prefeita que elegeram (eu não, alto lá!). Acho que a Câmara também tem sua dose de culpa nesse “caos” atual. A sociedade precisa se mobilizar mais e louvo os jovens que fizeram os movimentos “possíveis” até aqui.

    Mas, não concordo que qualquer candidato seja bom para Natal. Mas, sei que isso foi um “reforço” na linguagem de sua parte, deixando muita clara a sua revolta: que é de todos nós.

    “Pertencimento”: eis uma palavra que não pode faltar no vocabulário do natalense!

    • Tácito Costa 21 de março de 2012 16:04

      Lívio, quando escrevi: a “qualquer um dos candidatos hoje postos à sucessão”, queria me referir a Carlos Eduardo, Micarla, Wilma, Mineiro, Rogério, Hermano, Felipe Maia e Dickson Nasser, que aparecem nas pesquisas à prefeitura de Natal divulgadas recentemente.

  12. Tácito Costa 21 de março de 2012 11:43

    Lívio, Jóis, considero uma tarefa difícil apontar qual seria o maior problema da cidade. Trânsito, buracos, caos na educação, na cultura, denúncias de corrupção, Câmara Municipal suspeita, incompetência generalizada… Em resumo, acho o que o maior problema mesmo é a prefeita Micarla de Sousa, qualquer um dos candidatos hoje postos à sucessão, se eleito, será menos ruinoso do que esta senhora.

  13. Lívio Oliveira 21 de março de 2012 11:28

    Um cafezinho com Jóis e Jarbas: tudo o que eu queria…

  14. Jarbas Martins 21 de março de 2012 8:59

    Desconfio, amigo Lívio, que Natal tenha o espírito vanguardista que propalam por aí, de Ceca a Meca, como dizia meu avô angicano.Agora que Natal é apressadinha, novidadeira e gosta de dar corda a doido, como dizia Luiz Damasceno -isso é uma pura verdade ! Exemplo: nos murais do Facebook, de hoje, só se fala que o dia 21 de Março é o Dia Internacional da Poesia.Natal saiu na frente,e já comemorou seu feriado municipal poético.Repito aqui o meu bordão preferido: Natal é um feriado municipal.

  15. Jarbas Martins 21 de março de 2012 8:47

    Tem razão, Lívio Oliveira: Natal nunca “se afirmou como cosmopolita”.E inventam mitos como “Natal é a Londres Nordestina” (como se Londres existisse, ainda, como centro irradiador de revoluções culturais). Ou alardeiam que a Vanguarda Poética (Poema/processo) é a grande contribuição natalense à Revolução Estética Brasileira.Balela. Nem Moacy Cirne, um dos patriarcas desses movimento, acredita mais nesses arroubos juvenis…O certo é que alguém anda tirando proveito desse movimento, já historiografado, pertencente a um passado que interessa mais aos estudiosos especializados de uma época – que a maioria dos nossos estudantes de Letras pouco, muito pouco, sabe. Não foi em vão que os 45 anos do Poema/processo foi comemorado no Centro de Ciências, Letras e Artes, da UFRN. Se existe algo mais monumentalizado que o Poema/processo em Natal – estou pra conhecer.Nem a manjedoura do Menino Deus e a efígie dos Três Reis Magos.O nome mais expressivo do Poema/processo, o teórico e ensaísta Moacy Cirne não se fez presente.Não sei se foi lembrado.

  16. Jóis Alberto 20 de março de 2012 22:56

    É isso, Lívio, melhorando o trânsito, Natal ficará ainda mais bonita. Porque tudo o mais nessa cidade é agradável: o sol, o vento, o luar, as praias, a culinária… e muitos dos meus amigos e amigas… Você é um deles.

  17. Lívio Oliveira 20 de março de 2012 22:30

    Caro Jóis, você lembrou – com propriedade – um dos muitos problemas de Natal. E que vem de longe.

  18. Jóis Alberto 20 de março de 2012 18:30

    Considero que o maior problema urbano de Natal, na atualidade, é o caótico trânsito de veículos nas principais ruas e avenidas da cidade. O trânsito é ruim para quem dirige carros, ônibus, motos, etc, e pior para os pedestres. Estes, digo isso porque sou um deles, são os que mais sofrem com carros tomando espaço nas calçadas e em cruzamentos super perigosos, como aquele das avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira, onde os carros, ônibus e caminhões, a todo momento, passam a poucos centímetros dos pedestres, que esperam, preocupados, na faixa, o momento de atravessar a rua. Existem vários cruzamentos perigosos para o pedestre: aqui no Alecrim, ao longo da avenida coronel Estevam com outras ruas; na Ribeira, no trecho em frente ao prédio do Departamento Estadual de Imprensa, dentre outros.

    Por mais de uma ocasião já tive dinheiro para comprar carro, ao menos um carro usado, porém acabo gastando o dinheiro com outras coisas, porque, confesso, não tenho coragem de dirigir num trânsito tão tumultuado! Prefiro usar ônibus!

    Está vindo aí dinheiro, muito dinheiro do governo federal para a Prefeitura realizar as chamadas obras de mobilidade urbana, com objetivo de melhorar o trânsito para a Copa de 2014, etc. Essa é outra preocupação: de que essa atual gestão da Prefeitura não saiba gastar esse dinheiro corretamente na hora de solucionar os principais problemas do trânsito natalense, e acabe gastando em obras sem maiores urgências, mas que serão feitas, ou para atender interesses da especulação imobiliária ou da politicagem, o que é mais provável.

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