Natal, terra de cobras, serpentes e víboras

Por Roberto Cardoso

A tal cidade. Na tal cidade. Natal, é terra de cobras, serpentes e víboras, nas artes e nas escritas. Com cobras, jacarés e um elefante. Cidade de Cascudo; cidade que já foi conhecida por ter um poeta em cada rua, e em cada esquina um jornal. Cidade de histórias enterradas em botijas.

A SPVA acaba de incorporar e receber um novo membro: Antoine de Saint-Exupéry, e o Pequeno Príncipe, agora fazem parte da Sociedade de Poetas Vivos e Aviadores. Sua obra passa para domínio público, podendo ser editada, manuseada e reinterpretada. E os poetas da SPVA, vivos como estão, não vão perder a oportunidade de fazer novas leituras, com novas interpretações e novas apresentações, baseados no texto de maior importância e leitura, a rentabilidade, o recorde de vendas: O Pequeno Príncipe.

Como piloto, Exupéry viu coisas que muitos não viram, e poderão continuar a não ver. Com seu avião do século passado, teve a oportunidade de voar baixo e descer em qualquer lugar, mesmo sem pista, fez até alguns pousos forçados, que lhe forçaram a tomar outros rumos e destinos. O que viu deve ter relatado com precisão, em seus relatórios de bordo e depois do pouso. Como escritor teve a oportunidade de confundir e embaralhar a cabeça do povo. Coisas de um tal de Zé Perry, que fez seu avião voar junto com a sua imaginação.

Viu uma enorme cobra que nasce em Cerro Corá e percorre o paquiderme norte-rio-grandense. E junto as praias de Natal, agora mostra os seus dentes. E os índios lhe deram o nome de Potengi. A serpente de Ceará Mirim, atravessou a lagoa de Extremoz, para vir descansar onde encontrou um Capim Macio. E pelas calçadas da cidade correm com passos lagarteantes, as víboras, que se esgueiram entre as fendas das paredes, por baixo de portas e portões. Com passos rápidos e baixa estatura não distinguem o que vem pela frente, e por muitas vezes são encontradas boiando dentro de alguma piscina.

Avistando por muitas vezes o Forte do Reis Magos, que um dia foi tomado pelos holandeses, Exupéry deve ter imaginado que naquele pequeno forte visto lá de cima, morava um pequeno príncipe. E como príncipe holandês poderia ser o Mauricio de Nassau, que passou pela ilha do Flamengo em Arês, e correu para Recife. E ainda tenta uma batalha educacional na avenida Roberto Freire. Disputa com o Estácio de Sá; e os americanos junto com os potiguares.

Em seus voos de lá para cá, e daqui para lá, deve ter avistado muitos baobás no território africano, e com seu pássaro de metal deve ter feito imigrar algumas sementes, tal como as aves que voam imigrantes de lá para cá, com os ventos. Avistou baobás em Nísia Floresta, e em Macaíba a caminho de Jundiaí. O baobá de Natal foi batizado como o baobá do poeta, é cuidado e preservado por um poeta e escritor, um historiador.

Lá do alto avistou um rio nascendo em Cerro Corá, serpenteando o paquiderme norte-rio-grandense, uma enorme cobra, ele deve ter imaginado, mas pequena de onde era avistada. Via o rio serpenteando e correndo. Como aviador e escritor não perdeu a oportunidade de fazer uma descrição com uma nova visão, uma nova interpretação. Com linguagem poética fez uma licença geográfica.

E inverteu a situação. O rio cobra que percorria por dentro do elefante, passou a ser em sua história um elefante dentro de uma cobra, ou um chapéu de retirante.

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