Natal – Uma terra desolada e esburacada

Os Sonhos dos candidatos
É dizer eleito estou
Faltar todas as promessas
Esquecer o que falou
É tirar lá no Planalto
Tudo que antes gastou

Antônio Lisboa – cantador RN

Tudo parece um cenário de ópera. De uma ópera trágica onde nos somos os bufões. O cenário é desolador. A cidade parece destruída por um tsunami. Nada funciona. A saúde, a educação e a segurança. Chega o Natal e o calçadão de Ponta Negra ainda não foi arrumado. Os turistas fogem. O rocheamento na orla é só um paliativo. Em outros lugares os buracos não são menores.

A cidade é suja. Feia. A propaganda é falsa. A decoração é uma maquiagem. O número de mortes é assustador. Vivemos um estado de barbárie. O crime aqui parece compensar. Compensar a falta de educação, de ética e de exemplos das elites. Os políticos, então, dão péssimos exemplos. Natal não tem história.  Nossa voz é uma voz no deserto; A ignorância dos governantes destruiu Natal.

A Ponte Newton Navarro completa seis anos e o progresso tão propalado na veio. Natal, cidade presépio, está mudando tanto que até a crônica ficou sem graça. Vivemos uma nostalgia. Perdemos os nossos referenciais. A cidade subindo sem infraestrutura. A vida aqui acaba cedo. A vida tem medo. Assim sem mais acaba a vida. Natal foi tomada por assaltantes e ladrões. Os natalenses perderam a auto-estima. A cidade está entregue aos bandidos. Colegas são assaltados ao voltar para casa. Levam tudo, a paz e alegria de viver. Em todo lugar o caos esperando a Copa que também não vai trazer melhoras para a cidade.

Meu cunhado foi correr no calçadão e tropeçou nas pedras portuguesas. Fraturou ossos. Andar ali é muito perigoso. Descer as escadas de saco de areia é para alpinistas. O médico mandou caminhar, mas está impossível caminhar nos calçadões da cidade. É buraco que não acaba mais. Ontem torci o pé.

A minha Ponta Negra está um lixo. Feia e fedorenta. Não, não tenho coragem de tomar banho numa das mais belas praias do Brasil. No entreato da ópera alguns shows de Natal em Natal. Na plateia, nós – os bufões.

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