Necessito asilo político

A cena poty é uma festa estática e hipócrita, onde toda fagulha de vida e de sinceridade é imediatamente interditada pelos “artistas” reacionários (e não são poucos). Do mesmo modo, observa-se um processo que eu chamo de mainstreanezação da cena poty – que não passa necessariamente pelo enriquecimento da classe (pelo menos não de toda ela) ou pela massificação dos produtos da cena (pelo menos não de todos eles), mas diz respeito à incorporação de uma ética de mainstream, que faz com que os artistas portem-se como microcelebridades, com que toda crítica negativa seja inviabilizada, com que a linguagem publicitária predomine nos discursos, com que as platéias sejam formadas segundo uma lógica de empobrecimento crítico, com que um discurso de ufanismo da cultura potyguar seja constantemente revigorado, como estratégia de marketing, pelos businessmen – junto às microcelebridades proletárias – da cena. Nesse processo, em que a heresia é criminalizada e perseguida, o que se constata, em decorrência dos Autos Cristãos (expressão máximo de nossa miséria), é que está em vias de ser reinstalada a Santa Inquisação, na qual serei estuprado por uma mesa de evisceração, quebrado na roda do despedaçamento e, finalmente, queimado ou decapitado em praça pública.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Johnny Cavia 18 de dezembro de 2011 14:59

    Jota Mombaça: a voz mais lúcida – embora incômoda como um furúnculo na bunda – ‘nesses tempos de males feitos, onde só se vive contrafeito’, aos que teimam em viver na mediocre;cinzenta; carnatalizada; focada(foca, genro da gentil dama clotilde, nada pessoal, apenas constatação); casa da ribeirizada, nessa urbe Natalóide, onde abundam bundas gordas, homens suados vestidos de papai noel e poetas – substantivos e plurais – lívidos e expeditos em elogios fáceis.
    Ó Natal, o que tens para ser tão cruel, tão rude, tão cruda e malina para os bons e fácil e dadivosa para os peraltas e vivaldinos?

  2. Jota Mombaça 18 de dezembro de 2011 11:20

    Ou foto nenhuma.

  3. Jota Mombaça 18 de dezembro de 2011 10:59

    Tácito, eu sei que menciono os Autos Cristãos, e que essa foto do Canindé Soares representa muito bem a megalomania dessas produções, mas, honestamente, eu penso que foto melhor para ilustrar este meu texto seria a de um rato escapando ratoeiras.

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