Nelson lança “Colóquio…” nesta sexta

Nova imagemO jornalista e escritor Nelson Patriota lança nesta sexta-feira (20), a partir das 18 horas, na Siciliano do Midway, “Colóquio com um leitor kafkiano”, coletânea de contos que sai pelo selo Jovens Escribas. Abaixo, a orelha que escrevi para o livro.

“Crítico literário, tradutor, ensaísta, intelectual dos mais brilhantes da sua geração, jornalista com passagem pelas principais editorias de cultura dos jornais de Natal, editor do jornal cultural O Galo e da revista do Conselho Estadual de Cultura, somente agora Nelson Patriota estréia em ficção com este “Colóquio com um leitor kafkiano”.

Uma estréia tardia, ressalte-se, apenas na ficção porque ele escreveu a biografia “A Estrela Conta”, da cantora potiguar Glorinha Oliveira, e organizou, entre outras, a “Antologia Poética de Tradutores Norte-rio-grandenses” e “Corpo de Pedra – dispersos e breve fortuna crítica”, do poeta Bosco Lopes. A impressão é que Nelson estava, digamos assim, “treinando” esses anos todos para nos brindar com essa obra alvissareira.

“Colóquio com um leitor kafkiano” reúne onze contos (um é infantil – “Histórias”), alguns inéditos e outros já publicados em periódicos culturais do estado. O título escolhido para o livro, que nomeia um dos contos, já fornece pistas ou indícios do que o leitor irá encontrar pela frente. Um consistente e refinado diálogo com a tradição literária ocidental, que inclui Kafka, Shakespeare, Cervantes, Goethe, Machado, Cascudo e Camus, entre outros.

Mas é o escritor tcheco a voz mais presente nos contos, principalmente em “Colóquio com um leitor kafkiano”, que abre a coletânea. Também encontramos ecos e vestígios kafkianos em “Rumores”, que lembrou-me também o romance “A espera dos bárbaros”, de Coetzee.

A intertextualidade e a ironia, presentes em quase todos os contos, são outras duas características muito presentes no livro. “Colóquio…” é um livro para leitores exigentes e inteligentes, que amam a literatura, como o escritor do conto “No Divã”.

O mais extenso dos contos “Prelúdio e fuga para um cavaleiro da Mancha”, que narra o inusitado encontro de Dom Quixote com Câmara Cascudo, no casarão da Junqueira Aires, é também o que revela com mais ênfase o fôlego de ficcionista de Nelson Patriota.

Impossível conter o riso e não lembrar de certas performances promovidas em Natal diante de “Nu com Poesia”, que narra um original recital poético, levando o poeta Rodolfo a dizer que a nudez é um suporte poético moderno e revolucionário. “Conto de Natal”, sobre o espírito natalino, remete diretamente ao conto “A Missa do Galo”, de Machado, e aqui podemos constatar de onde vem a ironia que Nelson destila ao longo do livro.

Os contos enfeixados nesse livro revelam, de maneira inequívoca, um escritor maduro, conhecedor profundo da literatura e com domínios plenos da narrativa e da linguagem. Não poderia ter sido melhor a estréia de Nelson na ficção. Fica nos devendo, agora, um romance.”

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