NEM LUA, NEM LUAR

Calma
Silêncio…
Solidão; não… Cansaço…
Pausa, ausência, fim de tarde,
Saudade, cheiro, pensamento…
Vida, lugar, sentimento, partida,
Dividida. É meio tarde, quase noite… Nas nossas vidas,
Cai a tarde, não há Sol, não há Lua, nem Luar…
Só as lembranças desta verdade nua, crua, minha e tua.
E neste sem-fim, em mim, mora o mais doce poema,
Nascido destas mornas tardes,
Em que descanso meus versos de amar cansados…
E aguardo…
Agora chega mais mansa, a noite…
E com ela, a suavidade, uma música no ar, um perfume,
O doce aroma das flores…
A quietude me aconchega, se achega,
Me faz pensar mais e mais…
Em tudo, em nós, no tempo,
No descontentamento turvo deste lamento,
Me encontro e busco a paz neste verso,
Um olhar que perdeu-se no tempo,
Um gesto que ficou,
Do tempo, as marcas,
Da vida, o amor,
A viva flor, o suspiro…
E o incerto…
E mais uma noite.

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP