Nicolelis e os “blogueiros sujos”

Debate foi mediado pelo blogueiro Sérgio Vilar

Miguel Nicolelis falando umas coisas meio que de ficção científica, tipo comunicação telepática, e eu fazendo links com a literatura, lembrando de Bioy Casares, com o seu romance Invenção de Morel.

O papo foi agora à noite lá na Siciliano e juntou um bocado de “blogueiros sujos”, definição dada pelo Serra durante a campanha e que gosto mais do que “blogueiros progressistas”.

Uma conversa descontraída sobre temas e questões chaves para a ciência, a educação e o Brasil, talvez esse seja a síntese mais aproximada do que rolou no auditório da livraria e que foi transmitido pelo twitter.

Algumas colocações feitas pelo neurocientista brasileiro poderão ser conhecidas mais detalhadamente no livro que ele lançará este ano com algumas teses cientificas que defende. Respondendo a uma pergunta sobre a relação cérebro/internet, disse que todas as ferramentas são assimiladas pelo cérebro como extensão do corpo. E com a internet não é diferente.

O neurocientista começou sua explanação falando sobre sua chegada ao Twitter há 15 dias e a luta que teve de travar para provar que era ele e não um fake. A partir daí desenvolveu a tese de que não tem importância a identidade que se assuma nas redes sociais. “Qualquer um pode assumir a identidade que quiser”, disse.

Durante as duas horas em que participou do evento, Nicolelis falou sobre política e o seu apoio a Lula e depois a Dilma e reafirmou suas críticas à universidade brasileira, um dos focos de sua entrevista que reproduzimos aqui e publicada no jornal Estado de São Paulo. “A universidade se transformou em certificadoras de conhecimento” e deu o exemplo do cara que termina um curso em Harvard e é contratado não pelo que sabe de fato mas porque estudou numa universidade de renome.

Ressaltou a importância das redes sociais, que preferiu chamar de teia, chamando atenção para o papel que ela exerceu na ultima campanha eleitoral, quando fez o contraponto à imprensa tradicional, que se alinhou ao candidato do DEM/PSDB. Essa teia deverá gerar um novo modelo de democracia representativa, onde o cidadão terá mais voz ativa.

Falou empolgado do projeto educacional desenvolvido pelo Instituto de Neurociências em Natal e Macaíba, com mais de mil crianças, e como não poderia deixar de ser referiu-se pela milionésima vez a via de acesso ao Instituto, de cerca de 50 metros, que ele não consegue asfaltar devido a falta de apoio governamental e porque segundo o Ministério Público prejudica o meio-ambiente, embora vizinho tenha cinco grandes edifícios. O episódio já ganhou cunho folclórico, onde ele chega fora do Brasil, as pessoas perguntam se a questão já foi resolvida.

Agora ele está esperando uma resposta da Secretaria de Educação do estado sobre a existência de prédios públicos desocupados para montar uma escola de ensino médio. A gente espera que isso não acabe tendo o mesmo rumo dos 50 metros de asfalto, que é bem provável acabe entrando para o Livro dos Recordes Vergonhosos do estado brasileiro.
TC

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