Ninguém combate a homofobia como Jair Bolsonaro

Por Rogério Galindo
NA CARTA CAPITAL

Os manifestantes da causa contra a homofobia deveriam dar uma medalha a Jair Bolsonaro. Cada vez que o deputado abre a boca para falar do assunto, arranja mais alguns simpatizantes para a causa.

Bolsonaro é o estereótipo do homófobo. Resolveu tomar para si a luta contra os direitos dos homossexuais. Contra o “kit gay”, como apelidou o kit contra a homofobia. E nesta quinta, de novo, voltou à carga contra o governo por promover a iniciativa.

Não se trata aqui de saber se o material do kit é o melhor ou se é o pior possível. Fato é que, num Estado de Direito, devem-se proteger as pessoas. Os homossexuais são frequentemente alvo de violência, seja psicológica, verbal ou física (isso quando não cortam a orelha de alguém que está abraçado ao próprio filho).

Portanto, pode-se discutir o que vai ser distribuído a quem, claro. Mas a ideia de combater ataques homofóbicos é tão óbvia que nem se imagina como um opositor arranjará muitos argumentos sobre o tema.

Bolsonaro também não achou argumentos. A única coisa que conseguiu dizer foi que o governo quer que todos os alunos se transformem em gays… E, de quebra, insinuou que a presidente tem “amor com homossexual”. Depois disse que a intenção era falar em amor “à causa homossexual”. Ah, tá.

A violação de intimidade é tão grosseira, o argumento tão pífio, que dificilmente alguém levaria a sério. A não ser, claro, os próprios homófobos. Os demais provavelmente vão passar a encarar os críticos todos do “kit anti-homofobia” como bolsonarozinhos, não dotados de civilidade, prontos para disparar asneiras e criticar os outros por sua vida íntima, sem nem saber se o que estão falando é verdade ou não.

Tanto faz se a presidente é isso ou aquilo. A obrigação de um governo democrático é garantir liberdades e direitos. A vida de cada um é decisão de foro íntimo. E o Estado tem de proteger aqueles que, em função de sua orientação sexual, sofrem preconceito.

Bolsonaro é o líder da causa homofóbica. E, indiretamente, o patrono da causa contra a homofobia. Graças à sua ignorância, está ajudando a sociedade brasileira a perceber o quanto ainda há de preconceito por essas terras.

*Matéria publicada originalmente na Gazeta do Povo

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 1 de dezembro de 2011 13:13

    Gosto muito da canção “Paula e Bebeto”, de Milton e CAetano. Alguém me disse que o título original era “Paulo e Bebeto”, pra mim tanto faz, é sobre amor, seja de homem com mulher, de homem com homem ou de mulher com mulher. Um dos melhores versos indaga: “Qual a palavra que nunca foi dita?”.
    Penso que há duas respostas para essa pergunta quase metafísica: a palavra que a arte diz; e a palavra que o amor diz.
    No caso do personagem aqui comentado, estamos numa situação simetricamente inversa: qual a palavra que merece nunca ser dita?
    Eu não registro o nome daquela pessoa.

  2. antonio nahud júnior 30 de novembro de 2011 19:13

    Caros amigos,
    Estou com um novo blog: CINZAS E DIAMANTES. Já linkei esse blog nele. Desta vez falo sobre literatura, história, política, comportamento, música, teatro e muito mais.
    Apareçam! Abraço bom!

    Cinzas e Diamantes

    • Tácito Costa 1 de dezembro de 2011 7:50

      Amigo, envie o endereço pra gente, vou linkar aqui também.

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