Nísia Floresta Brasileira Augusta

Afinal, já decidiram se Nisia e Zila são nossas

Grande e Augusto Natal,

Fosse outro país estava levantando monumentos e louvando a história dessa educadora, escritora, feminista e poetisa brasileira nascida na zona rural de Papari, na bela Nísia Floresta – onde vamos comer camarão, estado do RN. Brasileira? sim. Norteriograndense? sim.

Todos os grandes países procuram seus filhos ilustres para poder louvá-los. Aqui nós os expulsamos, vivos e mortos.

Nísia nasceu pertinho de Natal.

A poeta Zila Mamede nasceu na Paraíba e viveu no RN. Amou esse estado e fez o melhor trabalho já feito em honra de seu filho mais ilustre: Luis da Câmara Cascudo.

Cheirou esse estado e namorou suas praias, becos e gentes. A biblioteca da UFRN chama-se Biblioteca Central Zila Mamede. Zila é parte da nossa cultura, assim como outros grandes nordestinos paraibanos, pernambucanos, etc. São muitos os nossos artistas vindos de outros estados e que aqui ficaram, casaram se amigaram e viveram felizes.

A invenção no nordeste, diz o nosso colega historiador Durval, é coisa recente. Um dia desses pertencíamos a Pernambuco. Essa divisão é besta. Quero todos eles para mim.

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Comments

There are 7 comments for this article
  1. françois silvestre 3 de Maio de 2010 15:57

    Esse discurso é muito bonito. belíssimo. Só falta uma prática que não repita a cada geração o mesmo hábito de ignorar os contemporâneos. A mesma cara torcida para a produção dos vivos na mesma tribo. Ou num é assim?

  2. Marcos Silva
    Marcos Silva 3 de Maio de 2010 16:10

    João:

    Gosto muito de Nìsia. É claro que ela é potiguar e do mundo, não vejo motivo para uma coisa excluir a outra: nasceu em nossa então província, cresceu e estudou noutras, andou por Europa, França e Bahia… É bonito terem homenageado a figura rebatizando o local onde nasceu com seu nome, embora eu também aprecie muito a outra designação da cidade.
    Concordo com François: o problema não é apenas com Nísia, precisamos valorizar quem está fazendo cultura agora.
    Quanto a Nísia, precisamos discutir mais o que ela escreveu. O mesmo vale para Zila.

  3. Nina Rizzi 3 de Maio de 2010 16:40

    belíssimo texto joão da mata.

    eu, que nasci em campinas/ sp, sou também cearense. e sou potyguar do norte rio grandense. ah, sou sim.

    um beijo.

  4. Benvenuto 3 de Maio de 2010 19:07

    Só faltou uma coisa, à parte os adjetivos, por que Nísia é mesmo uma grande escritora? Seria bom citar as obras. Será que é mesmo boa poeta?

  5. Nina Rizzi 3 de Maio de 2010 20:16

    A Lágrima de um Caeté
    Nísia Floresta

    (…) página 2
    Lá, quando no ocidente o sol havia
    Seus raios mergulhado, e a noite triste
    Denso-ébanico véu já começava
    Vagarosa a estender por sobre a terra;
    Pelas margens do fresco Beberibe,
    Em seus mais melancólicos lugares,
    Azados para a dor de quem se apraz
    Sobre a dor meditar que a pátria enluta!
    Vagava solitário um vulto de homem,
    De quando em quando ao céu levando os olhos,
    Sobre a terra depois triste os volvendo…
    (…)

    (…) página 18
    Não chores, ó Caeté, o amigo teu:
    Que caiu, não morreu, porque o bravo
    Constante defensor da pátria sua,
    Para a pátria não morre.
    (…)
    (…) página 21
    O bravo selvagem atônito ficou…
    – Quem és; lhe pergunta, infernal deidade?
    – Uma tal visão de inferno não sou:
    Sou cá deste mundo, a realidade.

    Volta às selvas tuas, vai lá procurar
    Alguns desses bens, que aqui te hão tirado:
    Não creias, ó mísero, jamais encontrar
    A paz, a ventura que aqui tens gozado.
    (…)

    (…) página 23

    Um movimento fez de impaciência
    Da natureza o filho.
    Seus braços estendendo à bela Virgem,
    Quis ir a seu socorro…
    Mas os olhos volvendo à terra vê
    Realidade horrível!
    – Dissipa as ilusões, filho dos bosques
    A meu rosto te afazei;
    E verás, que tão feia eu não serei,
    Como agora pareço,
    Se de ilusões a mísera humanidade
    Não amasse nutrir-se,
    Horrenda a face minha não seria
    A seus olhos depois…
    (…)

    (…) Página 56
    E súbito o Caeté foi-se saudoso!
    …………………………..
    Nas margens do Goiana agora expande
    Sua dor !

    – Goiana ! … clama ele ali vagando,
    Mais triste do que lá o Beberibe:
    Onde está teu herói ? o filho teu !
    – no céu …

    – No céu … responde o eco ! E sabe o mundo
    Suas grandes virtudes; sabe a glória,
    Que seu nome deixou, nome imortal
    Na pátria ! …

    E lá do Caeté
    O triste pungir,
    Com ele se foi
    No céu confundir !
    *

  6. Rejane de Souza 6 de Março de 2011 19:47

    Independente de ser poeta ou escritora do tempo atual ou de outros tempos, os responsáveis pela cultura do RN precisam resgatar a sua literatura e isso exige um trabalho de pesquisa minucioso e sensível, pois tratando-se de Nísia Floresta já existe uma intensa fortuna crítica de dissertações e teses de doutorados sobre a mesma em outros Estados do Brasil e até no exterior, o que anula, aqui, a discussão sobre o seu papel e valor na literatura. O que se espera, do RN, é que se fomente também essa pesquisa no Estado que essa mulher nasceu, pois santos de casa fazem milagres sim, no entanto, na maioria da vezes, que têm olhos para ver, perceber e vivenciar tais milagres são os de fora.

    Rejane de Souza – Doutoranda em Literatura Comparada, organizadora do acervo de Nísia Floresta para alimentar o Museu Nísia Floresta.
    Natural de Nísia Floresta/RN

  7. Francisco Alves 2 de Maio de 2012 12:18

    Concordo contigo, Rejane, e digo que há realmente, hoje, um acervo considerável sobre a vida e a obra da escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta, constituindo uma vasta fortuna critica realizada no RN e lá fora, inclusive o importante material que você organizou para o Museu Nísia Floresta.
    Uma questão incomodante é a ocorrência de apressadas figuras que se imiscuem nos meandros da pesquisa sobre a memória e a história de Nísia e tacam a manipular informações sem o devido preparo, dando margem a ‘produções’ eivadas de erros, prestando um desserviço à história e descrédito à produção cultural (como foi o caso de um documentário produzido por uma figura que “se considera uma eterna pesquisadora, empreendendo várias pesquisas em diversas áreas dos saberes…”).

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