No dia em que o futebol jogou de calcanhar

Ele tinha a elegância de Franz Beckenbauer, a consciência social de um Afonsinho e a destreza de uma garça esguia e solta no tapete verde de uma arena onde reina por um tempo efêmero as estrelas do olimpo futebolístico. Doutor Sócrates. Doutor Futebol. Medicina futebol Sócrates. No futebol o Brasil pode falar grosso. No futebol o Dr. Sócrates foi o responsável pela democracia corintiana. O scratch brasileiro brilhou nos gramados do mundo inteiro. Na copa de 82 Sócrates Brilhou. Ninguém melhor que ele jogou de calcanhar e deu passes desconcertantes. A nação corintiana que hoje disputa mais um título lhe prestará uma justa homenagem. “ À sombra de chuteiras imortais “ brilha o futebol; à sombra desse terrível fecho de um dia rouco despede-se o Dr. Futebol Sócrates. È duro brilhar por tão pouco tempo. O corpo diz que é hora de pendurar as chuteiras. A cabeça pira numa ira dos deuses do gramado onde Sócrates deu exemplo e foi dedicação. A todos peço o silencio de um minuto. O maior templo do futebol ficou emudecido algumas vezes. Hoje – num domingo triste – toda á nação brasileira ficará à sombra da chuteira imortal do Doutor Futebol Clube.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 9 comentários para esta postagem
  1. DAMATA 8 de janeiro de 2013 13:33

    AALBerto, obrigado pelo excelente comentário. Realmente a seleção brasileira de 82 era muito boa e suncumbiu para um Itália pocessa que nunca havia jogado tanto. O Brasil era a melhor equipe e perdeu de 2 X 3. provando que nem sempre em futebol ganha o melhor. abç.

  2. AALBERTO VIKTOR SOARES EIDT 8 de janeiro de 2013 11:48

    Sucumbiu na Copa do Mundo España ‘1982 pelos pés italianos aquele que ousou justa(e irônica)mente reinventar o “Giuoco de Calcio” que ostentam justamente os italianos em sua Federação de Futebol, sob a sigla de FIGC (Federazione Italiana Giuoco Calcio), que nada mais traduz-se por Federação Italiana de Jogo de Calcanhar. Embora algumas equipes hispânicas da América do Sul tenham tentado emplacar o esporte como “Balonpié” (ou Bola ao Pé, para os lusófonos), apenas os italianos mantiveram algo próximo de um nome de raíz latina para a modalidade que um dia já foi chamado de Kemari pelos japoneses e de harpastum pelos próprios romanos bem antes do anglicanismo foot-ball, lusofonado para Futebol.
    Mas foi nisso que deu um filósofo greco-brasileiro invertar de jogar Calcio: a FIFA e os enviados de Nero não permitiram seu sucesso, a despeito de seus eméritos méritos e habilidades…

  3. Danclads Andrade 5 de dezembro de 2011 16:41

    Pois é, Da Mata… “Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais”, mas ela diz que o meu comentário não vale: diz que sou cego, que estou vendo tudo errado… Ela não se acha bonita. Mas, eu acho. Valeu Da Mata.

  4. João da Mata 5 de dezembro de 2011 13:51

    Dan, perceba como alguns nomes são defíceis de ser pronunciado. E ainda querem fazer antologia!. abç. Boa Tarde.

  5. Jarbas Martins 5 de dezembro de 2011 11:53

    Belo texto, Danclads, sobre Sócrates e a Democracia Corintiana !!!

  6. João da Mata 4 de dezembro de 2011 19:18

    Querido amigo Dan, boa noite

    Agradeço enternecido pelo generoso comentário e poema.
    Abraços ao seus. Ednar cade vez mais bonita deve ser voce o motivo e fotógrafo.

  7. Danclads Lins de Andrade 4 de dezembro de 2011 18:27

    Da Mata, agora que tive tempo de parar e ler este texto magnífico seu. Uma pena tratar de um tema triste. O Brasil perdeu não só um grande jogador, mas um grande homem, politizado como poucos no meio futebolístico. A democracia corintiana foi um exemplo disso.

    Sócrates

    Sócrates Brasileiro de Oliveira,
    Sócrates do Corinthians,
    Sócrates da Fiel,
    Sócrates da Democracia,
    Sócrates da seleção,
    Sócrates do Brasil,
    Sócrates do meu time de botão,
    Sócrates médico,
    Sócrates da saudade…
    Obrigado Doutor!!!

    (Danclads Lins de Andrade).

    Valeu Da Mata!!

  8. João da Mata 4 de dezembro de 2011 15:31

    Obrigado amigo Laurence Bittencourt.
    Sinto sua falta aqui. Abração

  9. Laurence Bittencourt 4 de dezembro de 2011 14:34

    Da mata, um dos melhores textos que li neste dia triste. De uma sensibilidade impar e de uma maturidade peculiar, bem próprio a você.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo