No rastro da literatura

Por Woden Madruga
NA TRIBUNA DO NORTE

Li esta semana na Folha de S. Paulo reportagem da Fabiana Rewald sobre as distorções das regras do vestibular – e do próprio ensino médio – quanto o tema é literatura brasileira, principalmente quando se aponta a lista dos livros exigidos para esses exames. Geralmente são os mesmos de todos os anos, de todos os vestibulares: Machado de Assis, José de Alencar, às vezes Erico Veríssimo.Um escritor contemporâneo jamais é lembrado. A propósito, o curador da Festa Literária Internacional de Paraty, Manoel da Costa Pinto disse: “O ensino médio deveria incluir a leitura de obras próximas do aluno. Um Cristovão Tezza, por exemplo, ou um João Ubaldo Ribeiro, um Luíz Ruffato, um Miguel Sanches Neto, um Milton Hatoum, um Marçal Aquino. E puxando a brasa para a sardinha nordestina, diria eu: um Ronaldo Correia de Brito, um Fernando Monteiro, um Francisco J.C. Dantas (foto), um Juarez Barroso.

A reportagem da Folha destaca:

– Qualquer aluno do ensino médio ou menos já ouviu falar de Machado de Assis ou de José de Alencar, nomes frequentes nas listas de livros cobrados pelos vestibulares. Mas é difícil encontrar quem já tenha lido Cristovão Tezza ou Luíz Ruffato, só para citar dois ganhadores do Prêmio Jabuti nos últimos anos. Como o ensino médio é muito pautado pelos processos seletivos das universidades, as escolas admitem que é difícil fugir das listas.

Abordada sobre essa questão, a professora Noemi Jaffe,doutora em Literatura Brasileira pela USP e ex-professora da disciplina no ensino médio,disse que “sentia muita falta de incluir outros livros no programa, mas não dava tempo”. Segundo ela, um dos motivos dessa falta de tempo é o fato de que ainda é comum o estudo da história da literatura, seguindo uma ordem cronológica.

A repórter Fabiana Rewald destaca adiante:

– Renato Pedrosa, coordenador do vestibular da Unicamp, explica que não há uma determinação de adotar apenas livros clássicos ou mais antigos, mas existe a preocupação de que eles sejam todos de domínio público: “Não pode ser difícil de encontrar nem ser caro”.

– Ele diz ainda que não concorda totalmente com a posição de que a literatura produzida nos dias de hoje seja mais fácil ou atraente para os jovens: “As técnicas usadas hoje são de leitura mais difícil, tem uma estrutura mais sofisticada, que inclui narrativas não lineares.”

WM entra na fila e pergunta: Quais os critérios que as escolas de ensino médio do Rio Grande do Norte adotam para o ensino da literatura brasileira? E nessa garupa larga como é tratada a literatura no Rio Grande do Norte? Se eu fosse pauteiro (já fui) pediria uma série de reportagens sobre o assunto, mandando o pessoal dá uma geral pelas escolas do interior.

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