Nobel francês é um dos autores da coleção que a Cosac Naify lança em sua nova fase

O escritor Jean-Marie Gustave Le Clézio - Scanpix Sweden/Reuters

O escritor Jean-Marie Gustave Le Clézio – Scanpix Sweden/Reuters

Por Antonio Gonçalves Filho
ESTADÃO

Coleção ‘Portátil’ reúne em edição de bolso algumas publicações disponíveis em outros formatos

Ênfase na produção artística contemporânea e a publicação de autores jovens são duas metas que a nova diretora editorial da Cosac Naify, Florencia Ferrari, traçou para a editora criada em 1997 por Charles Cosac e seu cunhado, o empresário norte-americano Michael Naify. Nascida em Córdoba, Argentina, há 35 anos, mas criada no Brasil, a editora assumiu o cargo, anteriormente ocupado por Cassiano Elek Machado, e lança, no dia 21, a coleção Portátil, que reúne em edição de bolso algumas publicações disponíveis em outros formatos, entre elas O Africano, texto revelador sobre a infância e juventude do escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, ganhador do prêmio Nobel de 2008 e um dos convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Le Clézio participa do evento contando sua trajetória no dia 7 de julho, às 19h30, na Tenda dos Autores.

A primeira leva da coleção Portátil, que será vendida a preços populares, traz ainda um dos derradeiros textos de Tolstoi, Khadji-Murát, baseado na história real de um soldado checheno que se alia aos inimigos russos, além do autobiográfico livro de Marguerite Duras, O Amante, sobre sua iniciação sexual por um chinês rico, em Saigon. “A coleção não vai ter só ficção, mas também ensaios”, observa a editora. Um dos primeiros será Como Funciona a Ficção, do conceituado crítico da revista The New Yorker, James Wood.

Com média mensal de seis títulos, a Cosac Naify pretende lançar 84 livros até o fim do ano, destacando as monografias dedicadas a artistas contemporâneos, gênero que a consagrou. “Vamos reforçar a vocação da editora, lançando livros de referência que cobrem lacunas da universidade”, garante Florencia Ferrari. Ela começou a colaborar com a editora como consultora na área de antropologia, após concluir o mestrado. Entre outros títulos que ficaram sob sua responsabilidade destaca-se A Inconstância da Alma Selvagem, do antropólogo carioca Eduardo Viveiros de Castro, que reúne nove ensaios sobre como os índios veem os animais e a vida em comunidade. Ela também é autora de Palavra Cigana (2005), publicado na coleção Mitos do Mundo, da Cosac Naify, coletânea de seis contos recolhidos na tradição oral de comunidades ciganas ao redor do mundo.

Neta do artista plástico argentino León Ferrari, Florencia editou o livro do avô, também lançado pela editora que dirige. Ela anuncia para este ano novas monografias de artistas, entre elas a de Ana Maria Maiolino, que atualmente representa o Brasil na Documenta de Kassel, a mais importante mostra alemã de artes visuais. Entre outros títulos em preparo na área de artes visuais estão livros dos fotógrafos Miguel Rio Branco e Cláudia Jaguaribe. No próximo ano, a Cosac Naify lança o livro retrospectivo da obra de Tunga, um outro sobre Sergio Camargo e ainda mais um de Waltercio Caldas.

“O copatrocínio e os convênios assinados com parceiros, entre eles a Imprensa Oficial, tem permitido a realização de projetos como o livro de ensaios da pesquisadora Neide Jallageas sobre o cineasta russo Andrei Tarkovski, que será homenageado pela Mostra Internacional de Cinema em outubro”, adianta a editora.

Identificada pela excelência de seus projetos gráficos, a Cosac Naify agora quer avançar na área de ficção. “Vamos lançar novos poetas brasileiros e representantes do novo romance francês, que estão sendo selecionados pela editora Heloísa Jahn”, revela Florencia Ferrari.

Parcerias para editar livros mais luxuosos

Parcerias para a publicação de livros de arte, design e arquitetura não eram comuns nos primeiros anos da editora Cosac Naify, que nem mesmo recorria ao incentivo fiscal da lei Rouanet para produzir livros que se tornaram referências no mercado. Segundo a nova diretora editorial, Florencia Ferrari, a editora conta agora com vários parceiros para a realização de projetos ambiciosos, entre eles a Imprensa Oficial, a Bienal, a Mostra Internacional de Cinema e a Associação Patronato Contemporâneo,

“Passamos a usar a lei Rouanet, mas não se consegue patrocínio com facilidade”, diz Florencia, destacando entre os parceiros da editora órgãos públicos como a Secretaria Municipal de Cultura.

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