Noite de ventos

Jairo Lima

eu não te vi
quando sobre a massa negra fria ejaculavas teus néons
e salpicavas de dia aquela noite que, inteira, corria
diante de ti

eu não te ouvi
quando os teus sinos anunciavam o teu prodígio de raios nascidos retos claros em dentro de ti
sobre os lábios extremos de uma madrugada que se refaz no pátio sem ventos

pousa a tua ausência viva e se espirala o teu solene incenso
em ti, no teu espanto, vejo-te clara a sensação do imenso

com os olhos que inventei para mirarem as órbitas descarnadas que precederam o meu primeiro alento
com olhos que inventei vejo-te claro lume
vejo com as frias águas dos olhos congeladas as franjas do teu fogo
e ouço a pedra quente consumindo as águas
que, evaporadas, conspiram suas nuvens baldias
em silêncio
para o teu fogo invento uma abelha de aço
e uma noite de ventos

e bailas

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Jairo Lima 18 de junho de 2010 8:33

    Pressionado? Tô é feliz da vida. Obrigado pelo convite, amigo, que muito me honra.

  2. Gustavo de Castro 18 de junho de 2010 0:30

    “com os olhos que inventei” é maraviloso, jairo. merece título de livro ou deste poema mesmo. parabéns pela invenção.

  3. Jairo Lima 17 de junho de 2010 23:40

    Sim, amigo Tácito, é do novo livro ainda sem previsão de lançamento. Seria um imenso prazer tê-lo no SP, mas não sei como enviar. Ele está em documento do Word. Aproveito para agradecer ao Jarbas pelo comentário generoso.

    • Tácito Costa 18 de junho de 2010 8:26

      Poeta, envie em Word mesmo, pelo e-mail, anexado, que aqui eu transformo em PDF. Agora, fique à vontade para mandar quando achar que é o tempo certo, não se sinta pressionado. abs.

  4. Jarbas Martins 17 de junho de 2010 21:48

    antológico, meu caro jairo lima. poema de versos breves e longos, mas simétrico. feito na medida exata do teu talento. abraços.

  5. Tácito Costa 17 de junho de 2010 18:32

    Imagino que seja mais um inédito de Jairo. Pelo que já vimos aqui e lá no Papo Furado vem por aí um senhor livro de poesia. Como mero testa de ferro – rs – dos leitores deste SP lembro ao poeta que muito nos honraria ter os livros dele em nossa ESTANTE.

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