A noite dos “manifestados”

Que ainda em janeiro a cidade tenha recebido dois dos melhores shows do ano que está apenas começando não deixa de ser surpreendente. É um juízo de valor temerário, admito, sem saber o que vem por aí, mas corro o risco conscientemente. De minha parte me dou por satisfeito. Se não assistir mais nenhum espetáculo musical este ano estou feliz. Principalmente porque não prezo quantidade e sim qualidade. E nesse quesito as apresentações de Elza Soares, no Teatro Riachuelo, e de Yamandu Costa com a SESI Big Band, na Praça do Gringo, em Ponta Negra, foram antológicas.

A apresentação de Yamandu e SESI Big Band estava marcada para começar às 20 horas. Mas um temporal que caiu por volta das 19 horas atrapalhou a passagem do som e resultou em uma hora de atraso.  Quem teve paciência e esperou ganhou um show fantástico. Os músicos pareciam que estavam “manifestados”, cheguei a temer que Yamandu ia voar com cadeira e tudo. Faltou pouco!

yamandu 2

Em cerca de duas horas de show foram executados músicas de Astor Piazzolla (Balada para um loco e Chiquilin de Bachín. Ouça a versão desta última: (aqui), Sivuca (Feira de Mangaio), Buena Vista Social Club (El Cuarto de Tula?), Chico Buarque (João e Maria), Waldir Azevedo (Brasileirinho), Zequinha de Abreu (Tico Tico no Fubá), Pedro Raymundo (Escadaria, ouça com Yamandu e Dominguinhos: aqui), mais uma música de compositor colombiano, que não lembro o nome, entre outras.

Citei algumas músicas de cabeça porque não foi distribuído folheto com o repertório e nem os releases da produção do show informaram. No final, detalhes sem importância, diante da beleza da apresentação. Também merece destaque o maestro Eugénio Graça, que arrebentou em alguns solos. E, parabéns, falou pouco dessa vez.

O show proporcionou-me um deleite a mais porque sou fã de Piazzolla. Descobri-o ainda quando era estudante de jornalismo, na década de… deixa pra lá – rs, quando comprei num sebo que havia na UFRN o álbum (long play) Libertango. Ouvi-o até quase furar.

E uma curiosidade que descobri por acaso, quando participei da edição especial dos 60 anos da Tribuna do Norte. Piazzolla fez um show em Natal, no ginásio do Atheneu, ali em Petrópolis, na década de 70. Poxa, o que eu não daria para assistir esse músico!

E como sempre, depois de um show que me encanta, trabalho a semana inteira ouvindo as músicas apresentadas nas mais diversas versões e interpretações.

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