Nós e a China

Amigos:

Quando minha adolescência acabava (fins dos anos 60), lembro que a China inspirava grandes esperanças entre jovens do mundo inteiro, e não apenas aqueles ligados a grupos formais de esquerda. A retórica da Revolução Cultural parecia uma grande recusa de um passado opressivo, irmão inesperado da contra-cultura ocidental.

Quarenta anos depois, a China parece melancolicamente triste no esfuziante sucesso de mercado: a revolução não ocorreu lá também. Participei de um debate em Porto Alegre (2007), entre sindicalistas de esquerda independente. As avaliações sobre a China eram muito tristes: renascimento do modo de produção asiático no seio do Capitalismo mais desvairado, condições de vida miseráveis dos trabalhadores pobres, ausência de garantias mínimas para a população que não faz parte das novas elites. A palavra “comunismo” é usada quase ritualmente porque não se vê qualquer conteúdo que lhe diga real respeito.

Liberdades não são concessões do governo nem de ninguém, são conquistas (são poderes). Tenho confiança nos chineses que sofrem.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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