Notas de segunda

Desenho “Maternidade”, de 1902, de Pablo Picasso

Gustavo

Tomo um café em Natal com Gustavo de Castro (João da Mata furou ao encontro), que mora em Brasília e esteve na cidade rapidamente, para participar de uma banca de doutorado na UFRN. Colocamos o papo em dia. O poeta e professor da UNB conta-me as impressões que guardou do México, onde esteve recentemente durante uns dez dias. Deixou comigo texto publicado no Valor sobre e-books e uma resenha acerca do novo livro de Nicholas Carr (The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains – ainda sem tradução no Brasil) que trata dos efeitos da Web no cérebro. Assuntos que me interessam, uma vez que respiro diariamente os dois. Além disso, conversamos sobre o futuro do SP e a possibilidade de enquadrarmos o blog em um edital de incentivo à cultura.

Editais

Já tinha conversado no ano passado sobre editais de incentivo à cultura com o escritor e produtor José Correia. Acho que analisamos o do Banco do Nordeste, se não me engano. Fiquei intimidado pelas exigências burocráticas, comuns a todos os editais do país, e deixei pra lá. Seria massa se conseguíssemos isso. Com os recursos de um edital seria possível avançar um pouco mais, tipo contratando um repórter e um estagiário e ampliar as seções e serviços culturais. Quem sabe transformar o SP num portal cultural. Gustavo ficou de me ajudar nessa questão.

Anúncios

A outra opção de gerar recursos para o SP, a dos anúncios publicitários, se mostrou inviável até agora. O mercado publicitário ainda não despertou para o potencial da internet. Nem os empresários. Por exemplo, a Livraria Siciliano, que teria tudo a ver anunciar aqui, foi procurada e não se interessou. No caso da publicidade oficial, acho que a linha editorial independente do SP dificulta a possibilidade de alguma parceria. Acredito, contudo, que no futuro a mídia on line conseguirá ser autosustentável. Uns com mais dificuldades outro com menos.

Livros e Internet

O mercado do livro sofrerá mudanças radicais nos próximos anos. Elas apenas começaram. Editoras e livrarias terão de se adequar à nova realidade ou enfrentarão dificuldades parecidas com as dos segmentos fonográfico e de DVDs. Tenho lido muito sobre isso e conheci há pouco tempo o iPad, a geringonça de mister Jobs, mais uma que chegou para fustigar o setor editorial. Com relação ao livro de Carr (internet causar problemas ao cérebro – tese central), pelo que li na resenha, tem muito de alarmismo, talvez misturado com doses de oportunismo.

Monteiro

Datado de 25 de maio, recebo cartão, postado em Málaga, do escritor Fernando Monteiro, outro viajante inveterado, que dá notícias de visita feita à Fundação Pablo Picasso. Com o cartão, um folder sobre a FPP. Conta Fernando:

Caro amigo Tácito,

Impressionou-me aqui em Málaga, a Fundação Pablo Picasso, que nasceu, como você sabe, nesta bela cidade da “Costa do Sol”, em 1881 -, com o seu acervo doado pelos herdeiros Christina e Bernardo (nada veio da caçula Paloma), talvez o mais “íntimo”, digamos, que restou dos estúdios do grande artista do séc. XX: desenho delicados ou fortes gravuras de pequena tiragem, experimentos artísticos da mais pura intimidade de PP.

Grande abraço
Fernando Monteiro

Vila-Matas

Tenho comprado alguns livros através da Estante Virtual – http://www.estantevirtual.com.br Na semana passada recebi “A viagem vertical”, de Enrique Vila-Matas, escritor espanhol muito considerado e comentado, que há muito eu desejava conhecer. Numa das livrarias da cidade custa R$ 45,00. Comprei uma edição super conservada, incluindo o frete, por R$ 21,00.

Um Homem Sério

Assisti, em DVD, numa Tv enorme e com cópia em blu-ray (tecnologia que oferece mais qualidade do que o DVD – mais detalhes aqui), na casa de uma amiga, Um Homem Sério, de Ethan e Joel Coen. Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro 2010. Bom filme, com um certo humor carregado que me lembrou, em alguns momentos, Woody Allen. Não entendi e até dei uma olhada na Internet, para saber se algum crítico tinha comentado o prólogo, que pareceu-me por demais metafórico e sem relação, aparente, com a história principal. Mais sobre o filme aqui.

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