Notas de segunda

O Fim e o Princípio

O cineasta Eduardo Coutinho, autor de documentários de referência do cinema brasileiro, dispensa apresentação. Achei, contudo, esse seu “O Fim e o Princípio” (foto), filmado no interior da Paraíba, inferior a outras obras dele. No filme, idosos da comunidade do Sítio Araças contam sua vida e revelam um mundo em vias de desaparecimento. Um mundo que pessoas do interior, como eu, conhece de muito perto.

Fuego

“Ninguém tem o direito a arrepender-se depois dos 50 anos. Seria demasiado cômodo. Aos sessenta e poucos, a única saída é afirmar-se no que se foi. O contrário é assim como o repentino misticismo dos freqüentadores de putas”. De Mário Benedetti, em Gracias por el Fuego, que terminei a leitura no final de semana.

Ipad

Um amigo me apresenta o Ipad, a estrovenga de mister Jobs que faz quase tudo. Explica-me as funções e eu, sempre atrasado com as novidades tecnológicas, fico besta com o tanto de coisas que a coisa pode fazer. Um monte delas não me interessa, fico mais ligado na função de e-book. A questão, que não deu para averiguar, é se a leitura para textos longos é cansativa. Eu não terei nenhum prurido ou dificuldade para migrar para o e-book. A leitura em papel está condenada, independente se gostamos disso ou não.

2666

Chegou nas livrarias o catatau (852 páginas)2666, de Roberto Bolaño, 55 reais na Siciliano. Leio a orelha e uma curta apresentação, explicando que antes de morrer, o escritor pediu para a obra ser desmembrada em quatro volumes. Os herdeiros acharam mais pertinente publicar tudo de uma vez, o que pareceu-me a decisão mais sensata. Abri a primeira página e notei que, como em “Os Detetives Selvagens”, o livro começa com a busca de um escritor misterioso e desaparecido (em “Os Detetives…” a busca é por uma poeta).

Viagem

Também chama-me a atenção nas estantes o livro “Até o Fim do Mundo – Viagens de Paul Theroux”, que folheio rapidamente. São textos do escritor americano sobre viagens a vários continentes, mas fugindo dos lugares comuns que relatos desse tipo costumam nos impingir. O autor começa logo dizendo que, com raras exceções, esse gênero literário resulta em obras chatas, feitos por chatos para leitores chatos.

Cabral

Conversa boa e demorada com os poetas Paulo de Tarso Correia e Demétrio Diniz num dos cafés do Midway, que gira, em boa parte, sobre a convivência de Paulo com João Cabral de Melo, muito próximo aqui em Natal dele e de Zila Mamede. Aposentado e dedicando cerca de 8 horas à leitura, Paulo se mantém atualíssimo sobre a produção literária, especialmente a potiguar. Nada escapa ao poeta.

Nei Leandro

O meu pesar pela decisão do escritor Nei Leandro de Castro em retornar ao Rio de Janeiro. Esperamos que ele, como faz Moacy Cirne, continue com um pé lá e outro cá, contribuindo para elevar o nível da produção e do debate literário.

Israel

O boicote dos artistas, somados a outras iniciativas pacifistas, podem surtir efeito, em longo prazo, contra a política de terror praticada pelo estado de Israel. Claro, a realidade é diferente da vivida pela África do Sul durante o apartheid, que enfrentou algo parecido, principalmente pelo apoio incondicional dos EUA, mas diante da desunião dos próprios árabes e palestinos, esta pode ser uma das saídas para, pelo menos, inibir a violência israelense, que tem afrontado e deixado meio mundo estupefato.

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