Notas de Washington

por Marcelo Antinori

Para um brasileiro que conhece Washington a pergunta é inevitável: “O que tem esta cidade que Brasília poderia ter?” As duas cidades são capitais e sede de governo, ambas tem a casa do presidente, congresso e ministérios e por conta disto, empregados públicos, políticos e lobbystas, mas uma grande diferença, Washington é visitada anualmente por 18.5 milhões de turistas enquanto que em Brasília duvido que os turistas cheguem a meio milhão (não encontrei as estatísticas.)

Brasília foi concebida nos anos cinquenta por estadistas que queriam construir ali a sede de uma administração publica eficiente, enquanto que em Washington a visão foi um pouco mais ampla. Cem anos antes, mais precisamente em 1846, um grupo de estadistas e empresários que entendiam que a cultura é parte fundamental da formação de uma nação, criaram o Instituto Smithsoniano para montar, administrar e difundir os museus de Washington. O instituto nasceu com verbas publicas e doações de grandes empresários que compartiam a visão de fazer da sua capital, um centro de preservação da cultura nacional.

O Instituto Smithsoniano (www.si.edu) tem hoje dezenove museus de ciência, tecnologia, artes e historia, nove centros de investigação e um zoológico na cidade de Washington que recebem anualmente 24.7 milhões de visitantes fazendo com que uma visita a sede de governo seja também uma oportunidade para melhor conhecer os valores culturais do pais.

Fazer de Brasília uma capital cultural com museus da nossa historia, nossa arquitetura e nossa arte, que exaltem nossas conquistas e nossas origens, nossos valores e também nossas coisas como o futebol e o samba, tomará tempo mas será que já não é hora de começar?

Marcelo Antinori – Brasileiro que vive em Washington. Economista e escritor, autor de “O húngaro que partiu sem avisar” e do “Macaquinho vestido de Napoleão”; ambos os livros disponíveis em Amazon.com.br e em Kobobooks.com.br. Email: Marcelo@marceloantinori.com.br

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