“Nova Cuba”, “Brasil” e o preconceito escancarado

Devido a repercussão do mapa com o território brasileiro subdividido entre uma “Nova Cuba”, sugestivamente colorido de vermelho, e um “Brasil”, de Azul, e com Minas Gerais sendo implodida, postado hoje de manhã no Facebook, a vereadora de Natal Eleika Bezerra, que se orgulha do passado como educadora, emitiu uma nota no início da tarde em que, ao invés de rever ou minimizar o seu equívoco, reforça de maneira mais detalhada e clara o seu preconceito e atraso. Ou seja, a nota saiu pior que o mapa.

Um discurso que faria o maior sentido, em seu reacionarismo e visão de mundo, no início da década de 60, com o auge da Guerra Fria, e o Brasil vivendo todas as consequências daquele momento histórico, que culminou no golpe militar de 1964.

Eu sei que está sendo muito difícil para algumas pessoas aceitarem democraticamente mais uma vitória do PT. Sei também que o pensamento da vereadora encontra eco e adeptos em mais gente do que possamos acreditar. Mas não é com engodos e forçações de barra como essa do mapa que fortalecemos a Democracia brasileira. Um primeiro passo importante é respeitar o resultado das urnas e parar de eleger bodes expiatórios para justificar a derrota.

Alguém também poderia avisar a vereadora que os tempos são bem outros. Será que ela não notou? Só alguém muito alienado pode acreditar que exista alguma semelhança entre “Nova Cuba” (Norte e Nordeste) e a Cuba dos Castro.

Uma frase da nota, que não está na matéria do G 1 RN, resume tudo: “Sobre a educação, registre-se que o Nordeste tem mais da metade dos analfabetos desse país (53,6%)”. Traduzindo, o povo não sabe mesmo votar. Pelé já tinha dito essa mesma besteira.

O mais lamentável e triste é constatar o preconceito vindo de uma nordestina e ainda por cima educadora.

Choquei!

Matéria do G 1 RN: AQUI

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Samara Cruz 28 de outubro de 2014 18:44

    O voto despolitizado é aquele que não tem razão de ser, ou seja não há uma convicção nem uma identificação naquilo que se está apoiando. Esses votos são na sua maioria, os comprados, os influenciados pela propaganda, ou por pessoas conhecidas ou parentes. Todos os outros são politizados, e aí estão incluídos, os de natureza ideológica, econômica, ou filosófica, para citarmos os principais. Então devemos refletir da seguinte forma, ora, se toda a propaganda da grande mídia, e notadamente das televisões que influenciam as pessoas menos informadas, eram contra DILMA, e a despeito disso os Nordestinos ancorados pela “melhora” econômica e social, escolheram ela maciçamente, logicamente que esse voto é o mais politizado possível.

  2. Roberto Sampaio Garrido 28 de outubro de 2014 20:49

    Com os votos do Aécio + as abstenções, teremos 87 milhões, de eleitores que votaram contra o PT "Dilma" e parte da media nordestina já dizendo que era a aprovação de Lula, portanto, nada mais justo ter quem sonhe com Nova Cuba, um lugar somente para os Petistas.

  3. Denise Araujo 28 de outubro de 2014 12:25

    Programas assistencialistas não têm finalidade de “geração de riquezas”, mas de diminuição das desigualdades sociais, algo bem mais despretencioso.

    Penso que alimentar preconceitos sócio-regionais (sim, pois a crítica parece voltada aos pobres nordestinos, e não aos seus ricos conterrâneos, uma vez que estes últimos não são usuários dos programas sociais), chegando ao absurdo de sugerir separações entre regiões do país por discordar da escolha eleitoral das pessoas, não é o caminho para o aprofundamento da Democracia.

    Se não é possível aceitar a democracia, é necessário ao menos engoli-la. Entretanto acredito que aceitá-la faz doer menos.

  4. Alexandre Souza 28 de outubro de 2014 11:42

    Desculpe ,porém, chamar de democracia compra de votos através de programas que promovem tudo menos o trabalho e a geração de riquezas, vamos aprofundar a discussão da sua chamada "DEMOCRACIA".

    • Tácito Costa 28 de outubro de 2014 9:36

      Alexandre, discordo com relação a sua visão sobre o Bolsa Família e concordo com a discussão sobre o aprofundamento da Democracia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo