Nova ordem, velhas práticas

Manifestação em Natal quarta-feira contra Micarla e Rosalba

Foto: Cesar Augusto (NO MINUTO)

Por Francisco Duarte

Os protestos contra a governadora Rosalba Ciarline e a prefeita Micarla de Sousa, que ocorreram na última quarta-feira, início da noite, paralisando o trânsito de Natal por horas e infernizando ainda mais, sob forte chuva, a vida do natalense, nos remete a um novo tempo no ativismo social.

E isso ocorre por vários motivos. Mas os principais são: uma participação voluntária e autogestora de uma parcela significativa da sociedade, os jovens; a utilização das redes sociais como instrumento de organização e luta, que conecta online milhares de pessoas que partilham das mesmas ideias e se convocam para a reflexão e à ação imediata e organizada.

Evidente que tal organização e ação não ocorreriam sem motivos. A cidade está um caos e a administração pública estadual abandonada. Problemas em Natal dos mais simples e básicos não são encarados resolutivamente com determinação e criatividade; e as questões mais fundamentais do Estado, como segurança, saúde e educação só apontam para o agravamento, a despeito de já terem se passado cinco meses de um novo governo.

Para piorar a situação, a bomba explodiu. Várias categorias, como que válvulas de escape dessa situação caótica e insuportável, pipocaram em greves, paralisando serviços públicos essenciais, como o fazem os policiais civis, servidores da administração indireta do Estado, médicos, motoristas e cobradores de transporte coletivo.

A organização pelas redes sociais, assim, possuem uma razão de ser. A mesma razão, guardadas as devidas proporções, que mobilizam milhões de árabes em países sufocados por ditaduras há décadas ou sistemas religiosos opressores em países do norte da África e do Oriente Médio.

Em Natal, portanto, um novo protagonismo social anuncia uma nova forma de mobilização, organização e interferência da sociedade, especialmente junto aos poderes público e privado (como ocorreu recentemente contra os preços abusivos dos combustíveis), no qual até mesmo a figura de um líder carismático que incorpora os anseios da população foi subsumida, senão anulada.

De velho mesmo só continuam a mente, a reação e a forma de encarar isso por parte de governantes conservadores e empresários tradicionais. Ambos rescaldos de sesmeiros, resíduos de ditadores e sobejos de oligarquias com suas velhas e surradas práticas, no poder, contra o povo mobilizado e unido, nas ruas, por melhores dias.

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