Números da pirataria precisam de análise

Por Ronaldo Lemos
FSP

NA ÚLTIMA semana, esteve no Brasil para falar sobre pirataria Greg Frazier, vice-presidente da MPAA.

Se a sigla não soa familiar, é a associação dos grandes estúdios de Hollywood. A mesma que faz comerciais antipirataria antes dos filmes no cinema ou insere “FBI Warning”, ameaçando as pessoas com cadeia se copiarem o filme, mesmo sem fins comerciais.

Na mala, ele trouxe uma pesquisa dizendo que 55% da população no país vê filmes piratas. Reuniu-se com o governo em SP e Brasília e pediu maior repressão.

Só que números como esse precisam de análise cuidadosa. Pesquisa recente (da qual participei: reut.rs/dHy9oA) mostra que há cifras inflacionadas e até números que não existem.

Por exemplo, há anos é divulgada a informação de que o Brasil perde 2 milhões de empregos por ano por pirataria (bit.ly/dWiYkl).

O número é creditado à Unicamp. Só que, procurando na universidade, a pesquisa não existe.

A própria MPAA já passou por saias-justas por causa de informações como essas. Teve de se retratar quando disse que 44% dos prejuízos da pirataria eram de responsabilidade dos estudantes (bit.ly/5B55C0) e já tomou uma chamada do Tribunal de Contas devido a números imprecisos (cnet.co/9AVFrq).

O curioso é que poucos países fizeram tanto no combate à pirataria quanto o Brasil. O país bate recordes sucessivos de apreensões e criou, também, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, entidade elogiada no mundo todo.

Só que a pirataria não diminui. E a razão é simples: o problema é econômico.

Os preços de filmes no Brasil são os mesmos dos EUA, só que a renda do brasileiro é quatro vezes menor. Daí não existe repressão que resolva. Em vez de se pendurar no governo, a MPAA poderia estimular preços menores. Isso ampliaria sua base de consumidores. Daí sim a pirataria diminuiria de verdade.

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