O alarido na internet

Boa parte das informações/opiniões veiculadas na Internet copia, com graus variados de fidelidade, os vícios dos impressos, com muita ideologização, mentira, partidarismo, parcialidade e venalidade (tudo disfarçado, claro, de informação isenta).

A independência na Internet é inconcebível para muita gente. Os militantes, sejam do que for, não toleram a razão, o contraditório e a imparcialidade, que na visão deles, estão a serviço de alguma coisa. Para esses, não existem verdades ou sequer nuances fora de sua religião, dogma, fundamentalismo, partido, ideologia, opinião e visão de mundo. Vivem num mundo de certezas absolutas. O que os conduz fatalmente à cegueira e intolerância. O que é perigoso.

No campo político, sobretudo, não há meio termo possível na internet. Só existem dois campos: o do PT/Lula, defendido pelo PIT (Partido da Imprensa Petista); e o do PSDB/DEM, com o seu PIG (Partido da Imprensa Golpista), onde estariam os direitistas e anti-petistas/lulistas.

Esses dois campos dominam as discussões na Internet. Onde quer sejam postados textos políticos, principalmente, mas não apenas esses, logo entram em cena exércitos de militantes dos dois lados. E com um fanatismo e agressividade assustadores. Esse modelo de embate é pobre e, no limite, provoca apenas tédio.

O alarido que esses dois grupos faz é tão grande que não se ouvem as vozes mais equilibradas e distantes destes dois pólos. Com isso, o “debate” vira uma balbúrdia. Uma briga sem vencedores e que não muda um mísero voto ou opinião. Quem é favorável ao PT/Lula ou ao DEM/PSDB continuará sendo do mesmo jeito, penso que até com mais lealdade e radicalismo.

Apesar disso, entendo que a quantidade e qualidade da informação política que circula na Internet é um contraponto importante ao que é publicado na grande mídia (impressos e tvs), principalmente, os veículos Estadão, Folha de São Paulo, O Globo e Veja, que reinavam absolutos, sem praticamente contestação alguma. Estes veículos, como grandes empresas, com interesses que extrapolam seus próprios negócios, são porta-vozes e veiculam um tipo de pensamento único que nem sempre é bom para a democracia e para o Brasil.

Nesse contexto ganha crucial importância, apesar da polarização política, a pluralidade propiciada pelo advento dos blogs. Mas, tanto na Internet, como na mídia tradicional, é importante separar o joio do trigo, saber fazer a leitura correta e crítica do que é veiculado.

ao topo