O alto em alta

Por Marcos Cavalcanti

Ando colecionando textos que falam sobre a Santa Rita de Cássia do Monte Carmelo, ou do alto de Santa Rita, como foi denominado o Santuário pela igreja católica. Sendo o mais recente desses textos, o publicado aqui no SP, por Túllio Andrade. As matérias , os artigos e pseudo-crônicas, em geral são de cunho negativo, destacando sobretudo o valor investido na tal escultura de concreto. Lamentam o quanto de dinheiro público foi investido, como se para erguer a maior estátua religiosa do mundo cristão, e tudo o que em torno dela se concentra, fosse preciso apenas alguns míseros reais. Consideram um desperdício e os mais radicais dizem que foi dinheiro jogado no mato, que a obra não deveria existir. Vociferam que os 4 milhões de reais, não tenham sido investidos na saúde, na educação, nisso e naquilo outro. Saibam que Santa Cruz é duas vezes mais saneada que a cidade dos reis; que dispõe de duas importantes universidades públicas (UFRN e UERN), outras privadas e ainda uma escola técnica federal (IFRN). Temos uma maternidade modelo, com selo do Unicef atribuído por sua excelência na qualidade do atendimento. Não somos um município rico, não temos indústrias, mas também não temos excesso de nitrato em nossa água; não temos o caos do trânsito, nem a violência é tão gritante. Temos um teatro , casa e ponto de cultura, um parque de vaquejada, a vila de todos (belo espaço de lazer), carnaval, festival de quadrilha, o MotoFest, que é um dos melhores eventos do país, no gênero, mas que sequer merece uma linha da mesquinha mídia do nosso elefantinho. A cidade, por seus políticos e por seus religiosos, teve sim, a ousadia de criar o nosso cartão postal, não do nada, mas identificado com a tradição de sua terra e de seu povo, que desde a sua origem, em 1825, quando para cá, os fundadores trouxeram a imagem da padroeira da cidade, a estimam, a veneram . Eu, como todos sabem, sou ateu, e não sou do tipo Moacy Cisne, que diz não acreditar em Deus, mas que se professa devoto de Nossa Senhora de Santa´anna; portanto, talvez tivesse muitos argumentos para ser contrário à referida obra, sobretudo do ponto de vista filosófico ou até mesmo artístico. É claro que para meu gosto pessoal, preferiria uma Vênus de Milo, um Colosso de Rodes ou até mesmo um mamilo gigantesco, de onde emanasse, ora leite, ora mel. Mas não é bem assim que penso, seria egoísmo de minha parte se assim me posicionasse quanto à pertinência da obra. Santa Cruz, em matéria de devoção religiosa, nunca foi inferior às suas vizinhas do Seridó ou a qualquer outra do estado. A procissão de Santa Rita sempre foi uma das maiores do estado, atraindo gente honesta em sua fé, de toda parte, durante o mês de maio. Os críticos talvez enxergando apenas o valor monetário da mesma e o mercantilismo peculiar às religiões, certamente não percebam ou sintam o quanto a alto estima do santacruzense está elevada com esta nova página na história do município (isso tem preço?); talvez não compreendam que a cidade, sendo inclusive o portão do Seridó, passa, inevitavelmente, a fazer parte do turismo religioso do estado, atraindo olhares, sentimentos, relacionamentos humanos e também desenvolvimento econômico e social. Não têm idéia de quantas pousadas, restaurantes e novos empreendimentos já se tornaram uma realidade no município. Constato domingo após domingo, que a cidade está sendo bem visitada desde a sua inaug uração, e conversando com o povo, sentimos a sua satisfação, levando daqui, uma boa impressão e pro metendo voltar. Bem diferentemente, da torre de Niemeyer, no Parque de Natal, que ninguém pode visitar (lá fui duas vezes com minha esposa e filhas e demos com os burros n´agua. Ali, sim, até agora, nada mais que um elefante branco, coisa para inglês ver. Aqui, não, tá duvidando, venha ver.

Comments

There are 4 comments for this article
  1. Alex de Souza 24 de Julho de 2010 16:09

    Duas vezes mais saneada que Natal, tudo bem, mas qual é a área mesmo de Santa Cruz? Quantos habitantes tem? Tem quantos leitos disponíveis mesmo em Santa Cruz? Quantos terminais rodoviários? Aeroportos? Vai virar um Las Vegas da fé nessa pisada. Bairrismo bobo o seu.

  2. Marcos Cavalcanti 25 de Julho de 2010 18:54

    Caro Alex, se sou bairrista, não sei, mas amo sim a minha cidade natal. Então vamos ao seu comentário: se se referes aos leitos de hospital ou de hospedagem, digo que os hospitalares são suficientes para a população, mas não temos atendimento de alta complexidade, e quando se trata da gente pobre, como as demais de todo estado (sem plano de saúde), infelizmente têm mesmo que ficar nos corredores do sofrimento do Walfredo. Quanto ao atendimento infantil, não há necessidade de ambulancioterapia, a menos que seja para o tratamento de câncer ou algo muito complexo (O Ana Bezerra dá conta do resto). Quanto aos leitos de hotelaria, estão aumentando significativamente e isso já é uma consequência do empreendimento Alto de Santa Rita. Os dados que apontei, e alguns em comparação com Natal, foi apenas para ressaltar que temos uma boa qualidade de vida (educação, lazer, segurança, etc), daí porque falei do trânsito e dos índices de violência, de modo comparativo. E para ficar na toada do bairrismo de que me acusais, eu já disse certa vez a alguém que me perguntava se era difícil ir e vir de Santa Cruz para Natal (113 Km), que para mim, Natal era um bairro de Santa Cruz, e tenho dito.

  3. Antonio Terrazzo 25 de Julho de 2010 23:03

    No que se louve a santa, há de se eximir a falta de transparência que a obra suscitou, pelo volume de recursos aplicados com ressalvas dos orgãos fiscalizadores. A fé é do povo, a usura dos políticos, e a manipulação dos espertos, enquanto as palmas, quando inocentes são próprias dos homens simples ou dos homens simplórios, quando são ideológicas, se a justiça tardar que pelo menos deus nos proteja.

  4. Marcos Cavalcanti 26 de Julho de 2010 8:38

    Estou totalmente de acordo com as suas observações Antônio, no que se refere à falta de transparência da aplicação dos recursos na obra, bem como o quanto o homem é simplório em matéria de crença religiosa. Eu gostaria que ao invés do “homem religioso”, tivéssemos o “homem filosófico”.

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