O avanço em Natal

PorWoden Madruga
Tribuna do Norte

Aprefeitura vem matraqueando os ouvidos do natalense com uma propaganda diária, maciça, cujo refrão diz “Avança Natal”, isso há um mês inteiro. Ou quase. O cara liga a televisão e a toda hora, inclusive nos ditos horários nobres, no meio da novela das oito (em todos os seus intervalos), nas deixas do Jornal Nacional, misturado com os jogos da Copa, está lá o “Avança Natal”. É a vuvuzela da alcaidessa estourando nos ouvidos e na paciência do indefeso contribuinte, esse cidadão de segunda. A prefeitura quer mostrar que está transformando Natal na Estocolmo dos trópicos. É a grande fantasia dos marqueteiros pagos com o dinheiro público.

Quanto custa aos cofres da prefeitura a vuvuzela do Avança Natal? Um vereador da Oposição (Há oposição na Câmara de Vereadores?) poderia apresentar um requerimento indagando quanto a prefeitura gasta de propaganda na televisão, rádio, mídia impressa, encartes, out-doors, carro de som na rua enchendo o saco, o escambau. Pode-se ter uma resposta curiosa: tem gente avançando no Avança Natal. Sim, tem também o Ministério Público que, às vezes, acerta na mosca.

Você sai por aí, avança daqui, avança dali e não dá de cara com o Avança Natal. Escapa de uma lixeira, tenta driblar o caos do trânsito, não consegue andar pelas calçadas ocupadas por camelôs e outras modernidades natalenses, naquele canto o pessoal faz comércio com droga, num outro acontece um assalto, naquele cruzamento o ônibus avançou o sinal (olhe aí, o avanço, gente), sob as marquises juntam e se confraternizam moradores de ruas (alguns com as cores da seleção de Dunga) que também gostam de se banhar nas praças, algumas delas, sanitários ao ar livre. Avança Natal.

Uma tarde dessas passei pela Prudente de Morais, naquele trecho entre a Alberto Maranhão e a Alexandrino de Alencar, e vi uma coisa que avança muito em Natal nestes tempos de festejos juninos. Não me refiro apenas ao comércio de fogos nos canteiros centrais, uma coisa inocente, normalíssima, muito comum nas cidades mais avançadas, mais civilizadas do mundo. Não. Na Prudente de Morais, já nas imediações do Corpo de Bombeiros (uma referência positiva, avançada), ocupando a calçada do lado direito, lado da sombra, de quem vai do Centro no rumo de Lagoa Nova, uns cem metros de calçada, se estabeleceu um comércio de lenha para fogueira. Armar e acender fogueira no asfalto. Uma coisa bem laite, bem meio ambiente, bem meio de calçada. Aliás, o pedestre foi expulso de lá.

Certamente a prefeitura (administração do Partido Verde) deu autorização para o comércio de lenha numa das avenidas mais importantes da urbe progressista, moderna, avançada, que se prepara para ser sede de uma Copa do Mundo. Certamente o vendedor (ou vendedores) da lenha deve de estar munido de autorização do Idema, que é rigorosíssima (veja o que acontece com as cerâmicas do interior que vão acabando com o resto das matas de nossas caatingas) no exercício de suas funções. Prefeitura e Idema fazem parceria desse “governo sustentável”, expressão que é uma das pérolas do colar da alcaidessa.

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