O Banho da Moça

Arte: Mulher lavando a perna (Degas)

Que começa em surdina
E vai-se fazendo ruído
Aleatório, parte da orquestra
Com seus metais em chuvisco.

A ideia de que esteja despida
Completamente nuinha em pelo,
Inevitavelmente desassossega
Quem cruze o espaço, porventura.

Não há como abstrair, ocultar,
Tentar imaginar apenas a água
Que jorra copiosamente…
Está ela submersa na cena
( e mesmo de porta cerrada)
É o quê, o que inquieta

Com o melhor ainda por vir:
A apoteose do chacoalhar
Allegro que vem do corpo-instrumento
Sensual, de sonoridade íntima, feminina

A capturar quem ali passe ao acaso
E outra saída não tenha, que sucumbir
Ao excitante remanso do seu banho.

 

Médico, poeta, contista e compositor. [ Ver todos os artigos ]

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