O Bar de Caboré: meu amigo, nem te conto

Fico feliz com a recuperação do amigo Caboré. Ele sofreu um AVC recentemente e se recupera bravamente. Caboré é um decano do jornalismo do RN e conhece como ninguém sua querida Caicó. Madeira que não sobe e cupim não rói nem com a molesta dos cachorros. O bar de Caboré em Natal – Ponta Negra fez história. Reunia a fina flor dos boêmios de Natal, Mossoró, Europa, França e Seridó.

Era um pedaço do Seridó em Natal. Alem dos tradicionais peixes de água-doce, carne de sol, lingüiça e queijos, etc. No bar de Caboré eram servidas outras iguarias sabe Deus de onde. Tudo que era caça comíamos em Caboré. Ribaçã, preá, nambu, curicaca e outros bichos do céu e da terra. Todos esses tiras faziam a festa de uma animada rapaziada amiga do bicho mais famoso do bar: O seu dono, Caboré.

Minha esposa só comia os peixes tucunaré ou curimatã. Eu, mais afoito, experimentava de tudo e acreditava no que o dono do bar dizia ser o bicho caçado nas matas e ares seridoenses. A música de Luiz Gonzaga tocava e a conversa era animada. Muitos namoros e buchos nasceram dos viagras servidos no bar de Caboré. Outros ficaram doentes de tanta bebida e caças.

Quando o bar do Caboré fechou foi uma tristeza. Tristeza maior só quando Maria Boa cerrou as portas e toda Natal ficou na mão. O boteco de Caboré não tinha comparação, nem mesmo com o bar da jia.

Após um tempo Caboré abriu um boinho em Ponta Negra para o seu filho vender produtos do sertão. Hoje, Caboré vende seus causos e livros contando as muitas estórias do velho sertão do Seridó amado. Abraços meu amigo. Desejo-lhe plena recuperação.

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