O Brasil e o Futebol

Caros colegas,

O Brasil é como dizia Nelson Rodrigues uma pátria de chuteiras. Daqui a poucos dias seremos todos técnicos de futebol. Em 1970 eu estava hospitalizado, o presidente do Brasil Ilmo Sr. Garrastazu Médici, ligava todo o dia para o jogadores para parabenizá-los pelos feitos de uma nação que sangrava.

Quando o Brasil ganhou a copa todos os jogadores receberam um Fusquinha do Maluf. Tostão se arrependeu de ter recebido o presente de grego. Esse ano já foi prometido uma bolada para cada jogador caso campeão. E pasmem, não quero que o Brasil ganhe: O presidente do Brasil pretende ficar de Vampeta.

Só para lembrar um pouco da nossa recente história político/ cultural:

Nos anos 40, o governo Getulio quis domesticar a musica popular brasileira e Ari Barroso teve que compor “Meu Brasil, Meu Brasil Brasileiro…” Era a época dos famosos sambas exaltação, tipo Aquarela do Brasil ( Ari Barroso)
“Ah, esse Brasil lindo e trigueiro / É o meu Brasil brasileiro, / Terra de samba e pandeiro , …”

Depois o sambista teve que mudar a Letra da Musica, e dizer que quem trabalha é que tem razão:
Quem trabalha é quem tem razão / Eu digo e não tenho medo de errar / O bonde São Januário leva mais um operário sou eu que vou trabalhar

Na verdade o malandro queria dizer :
O bonde São Januário leva mais um OTÁRIO sou eu que vou trabalhar.

Em 1950 o Brasil inteiro emudeceu com a derrota para o Uruguai no final da Copa do Mundo. Acho que ainda não nos recuperamos desse trauma.

Anos 70, o poder e o ópio do Futebol. Pleno regime militar e muitos companheiros torturados. Brasil tri campeão. Miguel Gustavo escrevia; Pra frente Brasil salve a seleção. Todos juntos, parece que o Brasil deu a mão…

E, Don e Ravel cantavam:
“Eu te amo meu Brasil, eu te amo…”

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Marcos Silva 4 de Junho de 2010 15:12

    João:

    Tudo que vc fala é verdade. Mas quando eu vejo cenas filmadas da copa de 1970 (longos passes, dribles, precisão, inventividade), penso que o futebol pode ser arte: Pelé, Tostão, Rivelino… É detestável terem sido recepcionados por Médici. Mas não foi a ditadura quem inventou aquele estilo de jogo – hoje em dia, talvez irremediavelmente perdido.
    Junto com o futebol, outras artes brasileiras (música popular, teatro, cinema) provavam, até naquele ano terrível, quem nem tudo era ditadura sob a ditadura.
    Abraços:

  2. tete bezerra 5 de Junho de 2010 0:49

    Sou suspeita para falar sobre o “substantivo plural”, de tanto que sou fã dele,acompanho desde a sua criação,e afirmo por uma questão de justiça e reconhecimento,é um dos melhores blogs que conheço.Parabéns a Tácito e a todos nós, seus colaboradores e leitores .

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