O brotinho agora é homem

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Sapato sem meia, camisa semiaberta para mostrar os pelos do peito em sinal de masculinidade, deixar a barba rala e fazer aquele ar afrancesado para se mostrar intelectual ou pegador, nada disso faz mais sentido. O homem agora é outro. Peitoral definido, braços largos e pernas bastante finas, substituindo as de jogador, é que fazem o padrão de hoje. O homem da segunda década do século XXI não gosta de pelos e não apenas os apara, mas os depila. Depila mesmo, com cera e tudo, e não são apenas as axilas, eles limpam tudo: na frente e atrás, deixando apenas os cabelos da cabeça. Esses voltam a ser valorizados, mas não como no tempo de Zico, Sócrates ou Raí, os cabelos agora são picotados, tratados, nutridos e expostos de várias maneiras. Nos casos mais extremos, eles seguem o padrão Neymar ou Robinho, jogadores metrossexuais punks dos tempos atuais.
O homem de hoje é o brotinho de antes, sendo que antes brotinho eram as meninas desleixadas e esnobes. Agora é bem o oposto. Os homens de hoje têm padrão de televisão, dos filmes estadunidenses. Se antes havia preconceito com os homens que usavam um brinco na orelha, agora eles usam dois, até mais, e muitos até enfeitam-se como indianas, colocando piercings nos supercílios, no nariz como boi de carga, e até nos lábios.
Se tatuagem era coisa deveras marginal, agora elas marcam os braços inteiros, as pernas depiladas e, às vezes, o corpo todo. Tem outra moda ridícula de tatuar o pescoço, fazendo uma única figura, geralmente mal feita. Já tinha visto em mulheres antes, mas agora estou vendo nos homens também. Antigamente, os cantores sertanejos eram vítimas de preconceito por usar calças bastante coladas, mas parece que isso acabou, porque é tarefa árdua encontrar nas lojas jeans padrão. As vendedoras muitas vezes não entendem o que estamos procurando e olham-nos com aquela cara “sem noção”. (este é um termo muito usado hoje pelos homens também).
A mudança comportamental masculina é tão forte que tem mudado o perfil até dos homens do meu tempo. Se na década de 1980, início de 1990, era rebeldia não usar meias, hoje é coisa repudiada. Mas também não basta usar meia, ela agora precisa expor a marca, porque na segunda década do século XXI, homem também se importa com marca de roupa. Expõe no peito os logotipos das empresas têxteis com o mesmo afinco que nós de antigamente expúnhamos as flâmulas dos clubes de futebol.
O homem do século XXI transformou a boemia em estética e trocou os bares pelas academias. Pode faltar o de comer, mas dinheiro para a aeróbica jamais. Cuidar do corpo é mais importante que qualquer outra coisa, é tão sério que eles agora se reúnem em lugares comuns para tomar shakes de emagrecer. Os homens de agora carregam nas mochilas bolachas dietéticas e controlam o quanto de cerveja podem beber. Muitos até abandonam a cerveja para não engordar. Homens e mulheres disputam na fita métrica quanto têm de cintura e no tato quem tem a pele mais lisa. Os homens de atualmente usam creme para o corpo todo.
Os homens desses dias são digitais. Não param de papear pelo celular e de tirar fotos no espelho para publicar nas redes sociais da internet, fazendo pose de modelo. Quando vão para as festas, deixam de estar com suas namoradas para ficarem com os amigos. Os novos homens não vão às farras para encontrar mulheres, mas para abraçar os colegas e no outro dia, voltarem a se reunir com eles para discutir sobre a noite passada. O homem de hoje é diferente, mas somos nós, de outros modos, que eles acham inadequados.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Anchieta Rolim 6 de Agosto de 2013 21:33

    E eu aqui, paiva, barbudo e sedentário…ha,ha,ha…graças a Deus!

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