O câncer de Lula me envergonhou

Por Gilberto Dimenstein
FSP

Senti um misto de vergonha e enjoo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.

Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?

Lula teve muitos problemas –e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social.

No caso de seu câncer, tratou a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam se sentir incomodados com a tragédia alheia.

Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado um avanço do jornalismo e, de outro, uma porta direta com o esgoto de ressentimento e da ignorância.

Isso significa quem um dos nossos papéis como jornalistas é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 30 de outubro de 2011 22:25

    “O mineiro só é solidário no câncer”, essa frase famosa, da peça teatral “Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária”, do genial Nelson Rodrigues – que era considerado e se auto-proclamava, ironicamente, ‘reacionário’ – simboliza bem a atual situação de oposicionistas em relação à saúde de Lula. Boa parte da oposição já manifestou solidariedade ao ex Presidente da República, nesse momento em que foi diagnosticado câncer em fase inicial. Mas existem muitos outros, que nem mesmo no câncer prestarão solidariedade! Por que? Por ódio de classe? Por inveja? Por não aceitar que um homem de origem extremamente popular tenha se tornado Presidente da República, e não só isso, tenha governado o País em duas gestões e tenha feito a sucessora, a Presidenta Dilma? Um presidente que recebe homenagens no Brasil e em países de vários continentes e regiões do planeta!
    Alguns opositores, na internet e em várias partes, defenderam estúpida demagogia: que Lula faça o tratamento contra o câncer, no SUS! Quanto a isso, inicialmente argumento: acredito que sim, que Lula tem humildade suficiente para fazer o tratamento pelo SUS, porque ele sabe que o SUS é um dos melhores programas governamentais do Brasil, implantados não por livre e espontânea vontade de gestões passadas do governo federal, anteriores ao governo Lula, mas por cobranças dos movimentos sociais, sindicatos dos trabalhadores e demais setores progressistas da sociedade brasileira. Há, por outro lado, quem defenda autogestão na saúde. Ora, a cooperativa Unimed, por exemplo, pratica preços tão ou mais exorbitantes do que concorrentes da iniciativa privada na área de planos de saúde. Se dependesse de muitos neoliberais o SUS há muito teria sido sucateado para posterior privatização. Ora, se privatização representasse algo de bom para o povo, especialmente no setor de saúde, o Presidente Obama não estaria agora querendo implantar, nos EUA, programa parecido com o nosso SUS para tratar milhões de norte-americanos desempregados e sem dinheiro.
    Mas se Lula tem humildade suficiente para usar o SUS, nem ele, nem seus milhões de admiradores e nem mesmo oposicionistas mais civilizados, vão desejar isso, por vários motivos, dentre os quais eu destaco o fato de que, hoje, Lula tem outro status: o status de Presidente e ex Presidente da República! Merece todo o carinho popular e ser tratado no bem conceituado hospital sírio-libanês! O resto é absurda demagogia: desejar que Lula use o SUS! Demagogia de quem não é solidário nem no câncer!
    Acrescento: anualmente, o SUS interna 11 milhões de pessoas, faz 3 milhões de partos, 400 milhões de consultas. Nós erradicamos a poliomielite, o sarampo, a rubéola. Nós vacinamos mais do que qualquer país do mundo. Temos um programa de combate à Aids …que é referência internacional. Fazemos hemodiálise para uma quantidade brutal de pessoas. Cirurgias complexas. Os transplantes de fígado feitos no Albert Einstein é o SUS que paga. Oncologia, medicamentos que os planos de saúde não cobrem… É um trabalho tão grande, que a população que pode deveria vir ajudar espontaneamente, e não obrigada por tributos. (Adib Jatene). Fonte: citado, no facebook, pelo professor da UFRN e engenheiro civil Aldo Martins Garcez.
    E mais: o fato é que houve uma época em que o Brasil possuía hospitais públicos de excelente nível. O Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro e o Hospital de Brasília eram – ou ainda são, não sei – eram tão bons que ministros de Estado e Presidente da República podiam se internar neles. É preciso que os investimentos públicos alcancem novamente esse nível de excelência!

  2. Marcos Silva 30 de outubro de 2011 14:04

    Em qual mundo vive Gilberto?

  3. Daniel Menezes 30 de outubro de 2011 13:50

    “Lula teve muitos problemas –e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção.”

    Defende o lula, mas nas entrelinhas bate no político. O pessoal da folha não se emenda.

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