O Cobrador

Por Adriano de Sousa
NO NOVO JORNAL

ABIMAEL SILVA DEVE a narrativa (com retrospecção) da aventura de editar livros por aqui.

Ada Lima deve novos poemas que confirmem as primícias da menina gauche.

Adriano de Sousa deve poemas com mais poesia & menos linguagem, e deve a crônica que relacione a história do ABC com a história da cidade.

Albimar Furtado deve um estudo da arte da titulagem no jornalismo jerimum.

Alex de Souza deve o roteiro de uma graphic novel com histórias do udigrudi natalóide desenhadas por Marcellus Bob.

Alex Nascimento deve o romance joyceano que a sua potência lingüística vive a suplicar que escreva.

Alexis Peixoto deve os contos sugeridos pela alta performance em concurso e em revista.

Antonio Ronaldo deve outras amostras da beleza sailormooniana de suas canções poemáticas.

Carlos Magno Araújo deve uma seleta que liberte o cronista eternamente atado ao pelourinho do jornal.

Carlos Peixoto deve o estudo da presença árabe & do Islã nesta aldeia de Poti-mais-pagão.

Carmem Vasconcelos deve uns poemas com a poética da articulista Carmem Vasconcelos.

Clotilde Tavares deve um painel histórico no tamanho exato do teatro potiguar.

Diva Cunha deve o libreto de uma ópera pop anarquista sobre Nísia Floresta.

Dodora Guedes deve uma biografia de Aluízio Alves.

Edmilson Lopes Júnior deve o perfil ímpio da esquerda que tivemos, a que temos e a que teremos(?).

Francisco Carlos deve o romance que teve preguiça de escrever em Crônica da Banalidade.

François Silvestre deve uma interpretação culturalista das serras & e dos caracteres serranos.

Franklin Jorge deve os mais de 30 livros escritos ou por escrever.

Geraldo Melo deve uma autobiografia que resgate o jornalista e o intelectual perdidos para a política.

Giovanni Sérgio deve logo uma trilogia antropológica – Civilização do Couro, Civilização da Pluma, Civilização Mineral – e deve o livro de Lolita com retratos da tradicional família natalense em cinco décadas.

Gustavo de Castro deve um ensaio critico-biográfi co capaz de explicar todo o Castriciano que Cascudo ficou devendo.

Jânio Vidal deve uma biografi a de Tarcízio Maia.

Jarbas Martins deve toda a poesia que ele guarda fora de livro & que prefere atirar aos pombos que catam milho na internet.

Joanilo de Paula Rego deve uma antologia de Pablo de los Ríos.

João da Rua deve mais & mais & cada vez mais poemas de João Batista de Moraes Neto.

Jomar Morais deve uma visada livresca sobre a Natal que ele encontrou ao voltar & encontra até hoje.

Jota Medeiros deve os poemas analógicos adormecidos no sótão de sua cabeça digital.

Juliano Siqueira deve a história analítica das idéias libertárias no RN.

Lívio Oliveira deve menos práxis e mais logos, que a literatura não espera.

Luiz Gonzaga Cortez deve a versão fi nal sem-medo-e-sem-ódio do nosso galinheiro verde & dos fl ertes de tantos

bacaninhas de Deus & bacanões de letras com o integralismo.

Marcos Silva deve uma antologia crítica da representação de Natal por seus literatos.

Marize Castro deve um estudo do nosso jornalismo cultural a partir do século XIX.

Mário Ivo Dantas Cavalcanti deve o bestiário do palumbismo (ao modo d’O Todo-Ouvidos de Elias Canetti) e deve a gentileza de não cair no fojo (ser-sóum-cronista) que já mutilou alguns.

Moacy Cirne deve a releitura a frio dos tambores de vanguarda que, dizem extintos sinais de fumaça, ribombavam nas quebradas do Potengi.

Moura Neto deve uma pensata sobre halos e luzes que introduziram aqui formas alternativas de contato com o divino & de viagens de fé.

Muyrakitan K. de Macêdo deve a penúltima versão do Rio Grande do Norte.

Nei Leandro de Castro deve o romance defi nitivo que justifi que a fama de maioral no gênero.

Nelson Patriota deve a História da Crítica Literária no RN.

Osair Vasconcelos deve a fotobiografia do Machadão, antes que até a memória vá abaixo.

Paulo de Tarso Fernandes deve o testemunho circunstanciado da vida política do RN na ditadura militar & depois.

Rafael Duarte deve a enciclopédia dos botecos & cafés fi ncados nos corações de xarias & de canguleiros.

Roberto Guedes deve uma antihistória econômica do RN, detalhando as oportunidades perdidas e explicando como as nossas elites conseguem isso.

Sanderson Negreiros deve todos os poemas da maturidade.

Tácito Costa deve qualquer coisa que o retire da confortável posição de crítico que não escreve crítica para a confortável posição de crítico que escreve crítica.

Tarcísio Gurgel deve mais criaturas de fi cção, antes que o erudito abafe de vez o criador.

Ticiano Duarte deve a biografi a de Dinarte Mariz.

Vicente Serejo deve os microensaios sobre Cascudo, a biografi a monumental de Cascudo, a alma de Cascudo.

Volonté deve a edição completa dos seus instantâneos urbanos incorruptíveis & insubstituíveis.

Woden Madruga deve as memórias ácidas que ele teima em não escrever, mas de vez em quando concede em sua coluna.

Comentários

Há 9 comentários para esta postagem
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  2. Edjane Linhares 1 de fevereiro de 2011 18:57

    Adriano de Sousa deve um romance bem no ritmo do artigo “A roupa do rei”.

  3. Clotilde Tavares 1 de fevereiro de 2011 18:26

    Comequié? Painel histórico do “tamanho exato”…? E alguém sabe qual é esse tamanho? Não se esconde aí a armadilha? Eu prefiro escrever uma biografia de Linda Baptista, visse, Adriano?

  4. Alex de Souza 1 de fevereiro de 2011 16:55

    não nego: pago quando puder.

  5. Tácito Costa 1 de fevereiro de 2011 15:31

    DE GUSTAVO DE CASTRO, POR E-MAIL:
    tácito, tou postando nos comentários lá no sp e nada. será que tá com problemas? bom comentei no texto do adriano de sousa:

    “Também estou devendo dez reais ao Carlos Magno.”

  6. Lívio Oliveira 1 de fevereiro de 2011 11:07

    Sou cada vez mais práxis e menos logos, Adriano. Confesso.

    Talvez, mesmo, já tenha perdido o bonde da literatura. Confesso.

    Hoje, fico feliz muito mais com perguntas que faço aos outros do que com respostas que ensaio para mim mesmo. Confesso.

    Mas, você que tem palavra e “time” certos, além de outros atributos intelectuais que poucos destas bandas chegam perto de igualar, deve manter o “timão”. Melhor “alvissareiro” e “cobrador” do que você não existe. Confesso.

    Devo muito. Confesso.

  7. Tácito Costa 1 de fevereiro de 2011 10:47

    Comentarei apenas duas das tantas cobranças do poeta, a que me diz respeito e a endereçada ao próprio.
    1 – Não passa por minha cabeça largar o conforto de não fazer crítica pelo desconforto de fazê-la. Já provei desse fel.
    2 – Adriano de Sousa é um dos nossos melhores poetas justamente pelo esmero da linguagem, logo é descabida a cobrança.

  8. carlos de souza 1 de fevereiro de 2011 10:40

    ei poeta velho de guerra, gostei muito da cobrança. vou tentar fazer jus.

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