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O Disco de Bolso de Caetano Veloso e a Volta da Asa Branca

“Eu já toquei em assustado. Fui sanfoneiro, rei do baião, quase sumi na poeira; agora sou lúdico, autêntico, virei um tal de folclore.” Luiz Gonzaga ( Encarte do Disco de Bolso do Pasquim, Ano 1 Numero 2, 1972.)

Estava selecionando material para a exposição em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, e eis que encontro uma raridade na história do tropicalismo e do Rei do Baião. Trata-se do famoso Disco de Bolso Ano I Número 2 – Revista CR$ 8.00 (Grátis um Disco Compacto).

O primeiro ”Disco de Bolso” lançado em 1972 trazia Tom Jobim com Águas de Março e no outro lado do compacto, o compositor João Bosco, na época pouco conhecido. O ”Disco de Bolso” foi uma idéia do produtor Eduardo Athayde e do cantor e compositor Sérgio Ricardo em parceria com os editores do ”Pasquim; Fortuna, Jaguar, Sérgio Cabral, Ziraldo, Caulos e Joubert. A idéia era mostrar a cada lançamento um nome consagrado na MPB e um estreante, já que na época era bastante difícil gravar um disco. Para o segundo ”Disco de Bolso” convidaram Caetano Veloso, recém chegado do exílio em Londres. Os tropicalistas foram muito importantes para Luiz Gonzaga numa época em que o Baião estava esquecido. Caetano Veloso sentiu a força da música de Luiz Gonzaga e gravou no segundo Disco de Bolso, a famosa e uma das mais belas canções da dupla Zé Dantas – Luiz Gonzaga, a Volta da Asa-Branca. O estreante escolhido para esse disco foi o compositor cearense Raimundo Fagner, cantando Mucuripe. Uma composição de Fagner com Belchior. O lançamento oficial do ”Disco de Bolso” de Caetano Veloso e Raimundo Fagner foi no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro, no dia 10 de junho de 1972 em um show com as presenças de Paulinho da Viola, Sérgio Ricardo, Egberto Gismonti, Nelson Cavaquinho e Rosinha de Valença. Raimundo Fagner era um desconhecido e o seu compacto anterior lançado recentemente não tinha vendido nada, enquanto que o disco de bolso anterior com Tom Jobim e João Bosco havia vendido mais de vinte mil exemplares.

A Volta da Aza Branca foi gravada no Teatro João Caetano e cantada por Caetano que também toca o violão. Mucuripe de Fagner e Belchior é cantada pelo primeiro que também toca violão acompanhado pelo órgão de Ivan Lins.

A Volta da Asa Branca – Luiz Gonzaga – Zé Dantas
( Encarte do Disco de Bolso No 2)

Rios correndo, as cachoeira tão zoando
Terra molhada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza

Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou m`embora
Vou cuidar da plantação.

A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pra esse sertão sofredor,
Sertão da mulher séria
Do home trabaiador.

Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.

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João da Mata

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