O escritor potiguar, esse conhecido

Sim, o Brasil é um país de analfabetos. O projeto da nação claramente não passa pela cultura que viverá sempre de migalhas. No “Rio Grande sem Sorte” pior que outros lugares. Uma parte dos brasileiros escreve para outra parte que não sabe ler.

Mesmo assim é possível biografar o escritor potiguar numa das 303 variações propostas por Cony

Biografia do escritor papa-jerimum em lustros.

5 anos – Cartilha

10 anos- 1ª composição: por que gosto de estudar

15 anos – Descobre que detesta matemática e não consegue extrair uma raiz quadrada.

20 anos – Sem vocação nenhuma faz vestibular para qualquer coisa. Direito ou letras são opções atraentes. Escreve sobre um filme famoso e diz coisas que ninguém conhece.

25 anos – publica seu primeiro texto num suplemento literário. Pode ser o galo. Escreve poesia publicada na antologia dos poetas vivos.

30 anos – escreve seu primeiro conto na revista do sindicato ou da repartição onde ele é funcionário público.

35 anos – Recebe o seu primeiro premio ou menção honrosa num concurso literário promovido pela Fundação José Augusto.

40 anos – Faz a sua primeira viagem a Europa. Não conhece a pedra de Ingá nem o interior de seu estado.

45 anos – Está escrevendo um romance que vai abranger toda a sua vida e lembranças.

50 anos – Ainda está escrevendo o Romance e não encontrou editor. Quer fazer um lançamento com pompas e não consegue editar por uma editora nacional.

55 anos – Recebe elogios dos colegas e incentivo para escrever um lúcido ensaio abordando a evolução da história literária do seu estado. É aconselhado a escrever suas memórias.

60 anos – Dá entrevistas sobre a sua obra e conselhos aos jovens escritores. Participa do Programa Memória Inventada.

65 anos – morre de cirrose hepática ou de AVC. Nas muitas colunas sociais do seu estado são publicadas pequenas notas sobre o triste acontecimento e as muitas contribuições prestadas pelo escritor que infelizmente não entrou para a Academia Norte Rio – Grandense de Letras, onde teria o seu obituário e elogio fúnebre publicado numa das revistas da Academia.

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 19 de abril de 2012 22:45

    Caro Marcos, agradeço o comentário e atenção. É pra ri mesmo.
    Forte abraço.

  2. Marcos Silva 19 de abril de 2012 12:18

    João:

    Ri com seu texto, isso revela que ele alcança objetivos literários claros – humor tb é literatura.
    Caricatura sempre deforma, É claro que um estado onde Cãmara Cascudo, Luís Carlos Guimarães, Newton Navarro e Zila Mamede escreveram conhece outras biografias, incluindo um trabalho desgraçado para ler, escrever, publicar…
    Mas rir de nós não faz mal a ninguém.

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